quinta-feira, 19 de novembro de 2009



Marias

Maria José, Maria Auxiliadora, Maria das Dores, Maria dos Sabores, Maria das Flores, Maria dos Amores, Maria da Graça, Maria do Socorro, Maria João, Maria de Jesus, Maria da Luz, Maria da Cruz, Maria da Encarnação, Maria da Anunciação, Maria da Conceição, Maria Joaquina, Maria Leopoldina, Maria Severina, Maria Carolina, Maria da Abadia, Maria Madalena, Maria Filomena, Maria da Fé, Maria da Terra, Maria dos Anjos, Maria dos Santos, Maria dos Prazeres, Maria dos Mares, Maria dos Povos, Maria das Medalhas, Maria Filó, Maria Anunciata, Maria Bonita, Maria da Penha, Maria Xique Xique, Maria dos Remédios, Maria de Nazaré, Maria da Glória e a por fim, a minha Maria, é a Maria de todas as Horas!


Extraído do Livro de Poesias "Alma" by Lee Schuster - Todos dos Direitos Reservados -Lei 9.610

terça-feira, 17 de novembro de 2009




Regime do amor


Falam tanto em dietas, regimes milagrosos pra isso e aquilo que fiquei me perguntando:
Alguém saberá dizer qual é a receita do regime do amor?
Sim, é o amor um moço refinado, temperamental e exigente, precisa ser bem cuidado, alimentado em suas necessidades como todos nós.
E, eu, que há muito deixei de ser trouxa não pretendo perder quilos de alegria e litros lipoaspirados de emoções genuínas, quero sim, é acrescentar.
Também não quero usar alimentos lights ou diets pra amar.
Preciso elevar as taxas de açúcar do meu sangue com carinho, e já que é doce esse sentimento, então mergulharei de cabeça nesse pote sem remorso.
Dizem ser calóricos ao extremo os vinhos, pois bem: embriagar-me-ei litros deles ao fazer amor debochando sempre que lembrar, da tímida meia taça do passado companheira amarga da solidão.
Pra que sentir fome de amor se afeto, companheirismo, cumplicidade, desejo, atenção, lealdade, fidelidade complementam o distúrbio alimentar da arte de amar e ser amado?
Não sou anoréxica sentimental. Pertenço ao grupo dos ursos polares exímios produtores daquele panículo adiposo grosso e confortável, que no meu caso, é o tecido adiposo do amor, por isso não me importo em ficar com a silhueta “redondinha de felicidade”.
E você, se importaria?
O amor pra ser bom, não precisa seguir regras. Basta ser cultivado. A maneira quem escolhe somos nós, e o tempo, dá uma mãozinha no quesito aperfeiçoamento contribuindo silenciosamente com o avançar das horas e dos dias!
Boa dieta a todos.


Extraído do Livro de Contos e Crônicas “Descompasso” by Lee Schuster – Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610/98.

domingo, 15 de novembro de 2009



"O extraordinário particular do amor está na saudade festejada dos dias que virão. Simples assim."

By Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610


sexta-feira, 13 de novembro de 2009


Tela do pintor russo Vladimir Muhin



Mitos Femininos


1. Mulher seguríssima de si, que não confunde sexo eventual com relacionamento, É MITO.
2. Mulher que vai pra cama com um homem no primeiro encontro e não liga nem um pouquinho naquilo que o gajão pensará a respeito dela no dia seguinte, É MITO.
3. Mulher que segura TPM sem se irritar, sem chorar, sem engordar ou sem comer doce, É MITO.
4. Mulher que em momento algum da vida desejou ser mãe, É MITO.
5. Mulher que nunca teve um piriri por que o cabeleireiro cortou um dedo a mais do meio recomendado, É MITO.
6. Mulher que nunca invejou a bolsa podre de bom gosto daquela rival elegantérrima, É MITO.
7. Mulher que disputou com classe até o fim um homem com outra, É MITO.
8. Mulher que nunca chorou, nunca se magoou, ou nunca se vingou por ser rejeitada, É MITO.
9. Mulher que não tem medo da ex, ou das atuais, É MITO.
10. Mulher que nunca desejou que a inimiga se estatelasse na frente de todos, principalmente se aquele paquera em comum estivesse presente, É MITO.
11. Mulher que nunca, jamais em toda sua vida passou escondida de carro, de moto, de táxi, de bicicleta, ou a pé "trocentas" vezes em frente a casa daquele mega, super, master, blaster rolo, É MITO.
12. Mulher que não fica de olho nos recados das amigas "piranhas" do orkut dele, É MITO.
13. Mulher que não imagina coisas ao saber da existência daquela amiga super divertida e gente boa da balada, da faculdade, ou do trabalho, É MITO.
14. Mulher que não sente ciúmes de espécie alguma, É MITO.
15. Mulher que jurou nunca mais se envolver com homem algum depois de uma decepção, É MITO.
16. Mulher que está cem por cento feliz com seu corpo, É MITO.
17. Mulher que não precisa comprar perfume no mínimo uma vez por mês, É MITO.
18. Mulher que não chora por homem algum, É MITO.
19. Mulher que nunca sonhou em fazer fotos sensuais, É MITO.
20. Mulher que nunca sentiu inveja da outra, É MITOOOOOOOOOOO!!!
21. Mulher que jura de pé junto e por todos os santos nunca mais se apaixonar, definitivamente É MITO.
22. Mulher que não se importa com o desconforto da menstruação, É MITO.
23. Mulher que nunca atacou caixas de chocolate, se entupiu de sorvete, ou enfiou o pé na jaca devorando tudo que tinha na geladeira pra compensar a falta de sexo, ou de namorado, É MITO.
24. Mulher que nunca chorou assistindo a um filme romântico sozinha, É MITO.
25. Mulher que assegura preferir dormir sozinha e se esparramar na cama todas as noites, É MITO.
26. Mulher que nunca se sentiu ameaçada pela gostosona da capa da revista masculina encontrada no quarto do namorado, ou escondida na pasta do marido, É MITO.
27. Mulher que nunca destilou veneno num comentário para deixar a “fofa” com cara de tacho, É MITO.
28. Mulher que não se importa que a secretária do namorado, ou do marido seja linda, fluente em idiomas e dona de um arsenal fantástico de sapatos, É MITO.
29. Mulher que não demarca território, É MITO.
30. Mulher que diz que qualquer presente, qualquer lembrancinha está ótimo no seu aniversário, pelo amor de DEUS nunca acreditem por que, É MITOOOOOOOOOO!




By Lee Schuster – Todos os Direitos Reservados – Lei 9.610

quinta-feira, 12 de novembro de 2009




"Quantas vezes, amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!"


Florbela Espanca

Poeta Carlos Nejar


"O ato de criar é fidelidade aos sonhos. Se não acreditarmos neles, como acreditarão em nós?"
*
"A poesia está onde estiver a liberdade e o sopro do Espírito. Onde estiver a palavra que se faça humana. E se não crer na palavra, como ela crerá em mim? Eu creio na palavra porque sou palavra. Tu és palavra. E se nos unirmos, seremos eternos."
*
"A poesia é a arte de fazer as palavras levitarem. Aliás, esta é a diferença entre os verdadeiros poetas e os não-poetas. Esses, coitados, fazem grande esforço e não conseguem sair do solo. Porque as palavras não os amam. A poesia é a arte de ver mais longe, porque são as palavras que vêem."
*
"A inteligência é limitada. O coração sabe mais longe. Por ser a liberdade e os espaços infinitos da imaginação. O coração é a imaginação a pé. E a razão, a imaginação sentada."

"...o amor ia pousando,
descia pelas coisas
quando me falava
com a luz correndo
pancada de água
o amor não pesa nada
mas se lembra, esquecendo
e conhecendo, aguarda
a eternidade é ver!"
Carlos Nejar




Tristeza

Lentamente, a esperança se transforma numa pálida lembrança igual ao desbotado das antigas fotos, aonde a imagem aprisionada morre um pouco todos os dias.
Sentada no canto esquerdo da cama, ela apenas observa. Tudo está tão arrumado, tão organizado, tão odiosamente perfeito, assemelhando-se a um cenário saído de uma casa de bonecas.
- Exorcizar o que – pensa ela – enquanto encolhe as longas pernas para depois abraçá-las em seus muitos braços. E foram muitos os abraços em si antes e depois daquele instante.
- Confusão emocional – murmura enquanto enxuga as lágrimas no receio de um flagrante.
Flagrante de quem?
Quem entrará ali de súbito na sua embonecada casa surpreendendo-a em sua desprezível solidão?
- Ninguém – responde baixinho – ninguém!
- Não há mais ninguém aqui além de mim! Eu sou eu e sou você. Eu sou você e sou o outro. Eu sou o outro e o outro do outro e vou me multiplicando em muitos até formar uma coletividade, até ouvir vozes soltas e desencontradas, risadas esparramadas, então num segundo depois da pseudo-alegria...
Tudo se transforma em silêncio novamente!

By Lee Schuster – Todos os Direitos Reservados – Lei 9.610

terça-feira, 27 de outubro de 2009



Decepção


Desavenças acontecem
Amores padecem, ou se fortalecem
Mas enquanto nada se resolve
Uma dor bandida se confirma
Dia a dia, marcando a sina

Palavra sim, palavra não
A confiança de outrora,
agora arranhada na face
com o beijo do arqueiro
Desabita a cena,
Amiúda-se a um canto
Por se sentir pequena
E ali se mantém
à espera do curandeiro

E o pajé, chegará quando?
Perguntam os guerreiros
Melindrosos por um desfecho
Anti-sonho e pró-solidão
Rei absoluto do passado
que se pensava finalmente,
destronado!

Silêncio!

Ainda nada se sabe ao certo
Até o céu, de tão solidário
amanheceu descoberto,
as nuvens entristecidas partiram todas
sem deixar mensagem...

Copyright © 2009 by Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados Lei 9.610/98

quarta-feira, 21 de outubro de 2009



ZIRALDO: "Prêmio Ibero Americano Quevedos de Humor Gráfico"
por: ANA MARIA SANTEIRO

Hoje, quarta-feira, dia 21, Ziraldo receberá em mãos o “Prêmio Ibero Americano Quevedos de Humor Gráfico”, instituído pelos ministérios da Cultura e dos Negócios Estrangeiros de Espanha, com direito a uma exposição de seus desenhos, cartoons, charges e ilustrações, na Universidade de Alcalá de Henares, Madrid, onde o juri se reuniu e o elegeu por maioria em sucessivas votações, em dezembro de 2008.

O Prêmio Quevedo distingue a trajetória profissional de humoristas gráficos espanhóis e ibero-americanos cuja obra se destaque pelo seu significado artístico e social. Ou seja, perfeito para Ziraldo.

Nos últimos dois anos, a obra de Ziraldo vem sendo revisitada em projetos muito bonitos como o Almanaque do Ziraldo, de Luis Saguar e Rose Araújio; a maravilhosa exposição Jubileu do Ziraldo, 75 anos de um menino feliz, com a qual foi homenageado pelo XVIII Salão Carioca de Humor, em 2007, com cerca de 600 obras expostas no Centro Cultural dos Correios, no Rio.

Muito recentemente tive a oportunidade de produzir duas exposições sobre sua obra. Ziraldo, um Brasileiro, com curadoria de Ricky Goodwin e Ana Pinta, e Ziraldo em Cartaz, curadoria de Ricardo Leite. Ambas exposições foram patrocinadas pelo Sesc Rio e podem ser vistas até 30/10 nas sedes do Sesc Nova Iguaçu e Arte Sesc-Mansão Figner, no Rio, respectivamente.

Ziraldo, um Brasileiro destaca um aspecto do artista que é inédito em exposições: sua profunda identificação com a alma brasileira, com a cultura do país, com os costumes nacionais, com um projeto de nação.

A exposição Ziraldo em Cartaz é uma homenagem que a Editora Senac Rio, o Sesc Rio e a Fecomércio prestam a Ziraldo nos seus 60 anos de carreira profissional. Um complemento a publicação do livro Ziraldo em Cartaz, de autoria de Ricardo Leite, que reúne quase 300 cartazes criados por Ziraldo ao longo desses anos. Com um texto técnico-amoroso, Ricardo Leite nos mostra o processo de criação de Ziraldo, designer por vocação e decisão pessoal.

2009 tem sido um ano festivo, pois, além dessas exposições e prêmios, Ziraldo celebra ainda os 40 anos do Flicts e 20 anos de O Menino Maluquinho, duas obras-primas
clássicas da literatura brasileira para crianças.

Escrevendo ou desenhando, Ziraldo tem sido um grande narrador de nossa história. Parabéns ao Mestre!
Texto By ANA MARIA SANTEIRO - Todos os direitos reservados - Lei 9.610


sexta-feira, 16 de outubro de 2009


Picture by Alphonse Mucha. Amants. 1895. Color lithograph


Como pode o amor se transformar
nos arremessar pra fora
pedir um tempo
Se antes era motivo de alegria
Hoje é mais que uma utopia

Como pode o amor se transformar
nos arremessar pra fora
pedir um tempo
Se todas as verdades desistiram
Foram embora

E eu que não acreditava em sacrifícios
Sacrifiquei todos os meus vícios...
Como pode o amor se transformar
nos arremessar pra fora
pedir um tempo

E tudo aquilo que era tão mágico
Passou a ser tão simples e normal
Tão natural
Como pode o amor se transformar
nos arremessar pra fora
pedir um tempo

Como pode o amor se transformar
nos arremessar pra fora
pedir um tempo

Como pode o amor se transformar
nos arremessar pra fora
pedir um tempo

Como pode?


Letra/Música: Como Pode o Fim? - Copyright © 2009 by Lee Schuster Todos os Direitos Reservados Lei 9.610/98

terça-feira, 13 de outubro de 2009



Artistas: Operários Observacionistas

Foi assim: Deus observou por alguns minutos sua criação. O silêncio que cortava o ar era o mais enigmático e assustador já sentidos. Todos esperavam com aflição o resultado daquela súbita convocação. Os corações disparavam toda vez que Ele fitava um lá, outro acolá. Foram minutos de total apreensão. Finalmente Deus se manifestou. Estendeu seu cajado na direção de alguns dizendo:
- Você, você, você, você, você serão artistas! Não importa se escritores, atores, caricaturistas, palhaços, musicistas, pintores, dubladores, diretores cinematográficos e teatrais, escultores, chargistas, cantores, cartunistas, trovadores, declamadores, poetas enfim! A espécie não é detalhe, crio o gênero para que usem os dons da sensibilidade, da fina flor da civilidade, da caridade, da beleza, para que desenvolvam bem vossa missão.
E continuou caminhando entre os eleitos enquanto completava a oração:
- Lembrem-se que seus dons serão genuínos, nascerão em famílias de pouco, ou nenhum recurso precisarão ter fé em vossas habilidades e creiam: encontrarão todo tipo de dificuldades. Serão incompreendidos, vistos como lunáticos, sonhadores, terão vossas vidas estilhaçadas pelo descrédito, sofrerão com a ausência de solidariedade, humanidade e generosidade. No amor, invariavelmente serão rechaçados, espancados, açoitados e abandonados, seja no amor em família, seja no amor carnal. Vocês artistas, serão minhas ovelhas sacrificadas responsáveis em manter as cores do arco-íris, a amabilidade dos simples gestos, a sutileza do olhar, o encantamento e a alegria nas gargalhadas das crianças e a comoção nas lágrimas dos adultos.
Serão espezinhados em seus tormentos, sofrerão o holocausto do julgamento, terão suas almas expostas às multidões e mesmo assim jamais desistirão. Através da arte depositada em cada um, trarão ao mundo as alegrias esquecidas pelas pessoas em seu dia-a-dia, despertarão sentimentos como a saudade, a esperança e a igualdade dos irmãos. Agora vão e cumpram com vossa sina, que daqui de cima acompanhá-los-ei!
E partiram os artistas espalhando-se pelo mundo afora como todos os demais, operários extremadamente leais e igualmente desiguais. Eis a origem de todos os artistas, esses operários observacionistas realizadores!


Copyright © 2009 by Eliana Schuster
Todos os Direitos Reservados Lei 9.610/98

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Tempestade Solar


Corpus

Corpo: Invólucro da Alma. Alma: Esteira Astral de Sentimentos, Confrontadora Solitária das Carnes. Carne: Desejo Animalíssimo das Entranhas.


by Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610/98

sábado, 10 de outubro de 2009


...UP!

E Ela conheceu a traição. Traição de família. Traição de irmão. Traição de sangue. E Ela então sofreu. Sofreu com a decepção. Sofreu com a dilaceração dos sentimentos. Sofreu com a estupidez. Sofreu com a inveja dos incapazes, incapazes de sangue. E Ela rompeu. Rompeu com as marcas. Rompeu com o passado. Rompeu com as amarras. Rompeu definitivamente com aqueles que hoje não são mais seus. E Ela reviveu. Reviveu fêmea. Reviveu feminina. Reviveu mulher. Reviveu sexual. Reviveu sensual. Reviveu animal. Reviveu original. Reviveu solta. Reviveu incontida. Reviveu intensa. Reviveu abusada. Reviveu despudorada. Reviveu debochada. Reviveu sarcástica. Reviveu provocativa. Reviveu atrevida. Reviveu polemizadora. Reviveu elegante. Reviveu beligerante. Reviveu anarquista. Reviveu indissiocrática. Reviveu sem origens. Reviveu sem medo. Reviveu sem pesar. Reviveu para definitivamente viver. E Ela escreveu. Escreveu leve. Escreveu criativa. Escreveu com intensidade. Escreveu com profundidade. Escreveu com toda diversidade. Escreveu com cumplicidade. Escreveu com fidelidade. Escreveu com lealdade. Escreveu com paixão. Escreveu também com muito tesão. Escreveu por pura provocação. Escreveu com emoção. Escreveu com e sem razão. Escreveu com explosão. Escreveu em gírias. Escreveu em paráfrases. Escreveu e escreveu. E Ela? Bem, Ela hoje é a metamorfose dos alguéns, para além, além, além...



by Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610/98

quinta-feira, 8 de outubro de 2009




Estação Solidão


Chega a sexta-feira e eu ali, fico esperando
Do outro lado da cidade onde nada se esquece
Mas nada acontece, ninguém vem, você não aparece
Pra me resgatar desse silêncio
Todos fogem de mim e mesmo assim
Querem ler meus pensamentos
Por essa rua de duas mãos
Sigo sozinha acreditando
Que um dia você vem
Pra me libertar

Sinto forte as batidas do meu coração
E ali no meio da congestionada contramão
Lanço meu corpo como um tufão e grito:
A que horas chega seu destino em minha vida?

Não vou chorar, eu prometi faz algum tempo
Só que a saudade dói demais se transforma em tormento
Na metade da rua desse apartamento
Nas paredes eu pichei todas lembranças de nós dois
Pra não morrer sem ter o que recordar depois
Pq você não vem?
Preciso me lembrar pra esquecer
Os sofrimentos que passei sozinha
Será que aí fora é tudo realmente mais alegre?
você não dá sinal não aparece, me esquece

Sinto forte as batidas do meu coração
E ali no meio da congestionada contramão
Lanço meu corpo como um tufão e grito:
A que horas chega seu destino em minha vida?


Copyright © 2009 Música: Estação Solidão - Letra by Eliana Schuster Todos os Direitos Reservados Lei 9.610/98

terça-feira, 29 de setembro de 2009



Ombudsman

Ousar. Amar até esgotar o sentimento. Viver até desfalecer. Excelência naquilo que faço é pouco. É pra cima que o fogo queima. E queima sem piedade. É assim que vivo. Sem medo da realidade. Debocho dela (da realidade) toda vez que me apresenta uma emboscada. Atravesso a cortina de fumaça, sangrando. Arrebentada, mutilada, alijada, maltrapilha, esfomeada, mas sigo, sempre sigo. Não olho pra trás, não há tempo para saudosismos e nostalgias disfarçados de cobranças e arrependimentos. Fiz e faço escolhas a cada instante. Estou aqui, ali, em qualquer lugar. Sou andarilha. Amaldiçoada por muitos, amada por poucos. Medo? Medo de viver? Medo de me entregar por completo? Medo de realizar? Nunca! Antes a morte do que me acovardar. Culpar as pessoas pelas minhas fraquezas? Disfarçar insatisfação com provocação piegas, não faz o meu gênero. Ajo pelas sombras, na surdina e quando apresento minha resposta os ofensores caem boquiabertos, esfacelados. Perguntam-se: Como? Como ela conseguiu? Essa capacidade é minha, de ninguém mais. Sou assim, essa insana santa e profana. Reúno qualidades e defeitos insuportáveis. Os fracos se afastam levando consigo a incapacidade de tratar com a verdade, com o mundo. Sou cruel, devassa, tirana. Sanseverina. Vida, minha vida serpentina, sanseverina.


Copyright © 2009 by Lee Schuster
Todos os Direitos Reservados Lei 9.610/98

domingo, 27 de setembro de 2009

Ator-Atriz-Ator

Ator? O que é ser ator? Pois bem, dir-lhes-ei agora, prestem atenção não repetirei palavra: O Ator é o mais Prostituto dos Seres. Doa seu corpo, suas vísceras, seu sexo invariavelmente à mostra, suas lágrimas sentidas pela dor do personagem surgem assim como a gargalhada mais debochada, tirânica ou singela...Tudo ali, bem ali a um segundo das nossas expectativas. Ao ator não são permitidos luxos iguais aos demais mortais. Em cena são desvestidos dos pudores morais, normais, comumente naturais. No palco reina apenas o personagem e a sua identidade é colocada de lado. Vez, ou outra quando o trabalho consente, se reencontra com ela (sua identidade), para um bate papo informal. O ator é o mais extremado dos seres, o mais hediondo também. Ele manda, comanda, define, conduz nossas emoções com uma eloqüência e suavidade únicas. São impossíveis, ímpares. Dê-lhes um personagem e espere, apenas espere. A resposta vem, e junto com ela, as vísceras. O ator não tem lado, frente, trás, avesso, esquerdo ou direito. O ator não tem nada e tudo tem. De minha sorte afirmo:
O Ator é o mais Prostituto dos seres e, é, justamente por isso, que os amo.

By Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610



Será?! Será mesmo Nelson?! Ou talvez não seja uma das muitas faces mordazes da vingança! Manter cativo aquele que o feriu. Não seria essa uma maneira de dar-lhe o troco em doses precisamente calculadas sem precisar dizer palavra. Um olhar, aquele olhar de piedade e pura maldade, aquele que desesperados buscamos nas entranhas do ofendido na ânsia de igualá-lo! Será preciso ser infeliz primeiro para depois...? Será preciso comer o pão que o diabo amassou? Será?! Será mesmo Nelson?!


By Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610

quinta-feira, 24 de setembro de 2009



I



Ela não queria fazer aquilo lutou desesperada contra seus instintos, mas a vontade, a raiva, a revolta falaram mais alto.
- Como pode? Como pode alguém fazer algo assim – perguntavam as pessoas estarrecidas pela cena.

Era tudo tão hediondo, perverso. Tanja não resistiu. A violência das palavras se transformaram em setas certas, envenenadas nas pontas. Tanja cegou a razão e ensurdeceu o bom senso. Por um minuto os freios inibitórios afrouxaram. Foi o tempo suficiente para tudo acontecer.
- Um minuto é tempo demais – pensou Tanja – não veem o meu caso?

- Não vêem o que fiz há pouco? Em menos de um minuto tudo se transformou em horror! Quem acreditaria que eu pudesse fazer algo tão monstruoso assim? Quem?

- Por Deus, quem entenderia ser essa uma reação minha, exclusiva e visceralmente minha, quem?

- Quem aqui nunca sentiu uma vontade enlouquecedora de agir da mesma maneira que eu há instantes? Quem?

- Mas eu fiz, está acabado. Está tudo aqui ainda à mostra para quem tiver coragem de ver. Minhas mãos não tremem mais. Não sinto mais o cheiro horroroso que antes havia nelas. A minha pele está mais macia. Maravilhosamente macia. Sedoso. O meu cabelo está tão sedoso. O meu hálito está mais perfumado.

- E as minhas unhas? Deus elas não quebram mais nos cantos. Olhem para mim e vejam, vejam o que eu fiz!

- EU FIZ! EU FIZ! EUUUU FIZZZZZZZZZZZZ!!!


II



- E se tivéssemos feito o que ela nos pedia? Teríamos evitado essa tragédia?
- Creio que não! Como saberíamos que tudo terminaria assim?
- Não me conformo Afonso com isso. Justo ela!
- Sara não se culpe meu bem! Não podemos agora reverter o que está feito!
- Eu sei Afonso, mas meu bem e se...
- Xiuuuu, não diga mais nada. Melhor esquecermos tudo isso!
- Esquecer? Como? Aquela cena não sai da minha memória. Tanja ali, no meio daquilo tudo!
- Quer um calmante querida, posso buscar.
- Não, já tomei uns dois desde que o céu despencou sob nossas cabeças!
- Então venha cá, deixa eu te abraçar quem sabe você esquece e dorme um pouco...
- Não consigo simplesmente deitar e dormir Afonso! Tanja é nossa filha, nossa garotinha.
- Eu sei disso Sara, mas precisamos descansar recuperar o resto das forças que sobraram para enfrentar o que vem pela frente!
- Tem razão querido, eu exagero sempre. Acho que aceitarei aquele comprimido...
- Pronto meu bem, agora deite e deixe o calmante fazer efeito. Amanhã pensamos com calma.
- Sim, amanhã! Boa noite!



to be continued...



by Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Porcupine Tree - Blackest Eye (Live)



A mother sings a lullaby to a child
Sometime in the future the boy goes wild
And all his nerves are feeling some kind of energy

A walk in the woods and I will try
Something under the trees that made you cry
It's so erotic when your make up runs

I got wiring loose inside my head
I got books that I never ever read
I got secrets in my garden shed
I got a scar where all my urges bled
I got people underneath my bed
I got a place where all my dreams are dead
Swim with me into your blackest eyes

A few minutes with me inside my van
Should be so beautiful if we can
I'm feeling something taking over me


I got wiring loose inside my head
I got books that I never ever read
I got secrets in my garden shed
I got a scar where all my urges bled
I got people underneath my bed
I got a place where all my dreams are dead
Swim with me into your blackest eyes


I got wiring loose inside my head
I got books that I never ever read
I got secrets in my garden shed
I got a scar where all my urges bled
I got people underneath my bed
I got a place where all my dreams are dead
Swim with me into your blackest eyes


Uma mãe canta uma canção de ninar para uma criança
Alguma vez no futuro o menino se torna selvagem
E todos seus nervos estão sentido um tipo de energia

Uma caminhada no bosque e eu vou tentar
Alguma coisa de baixo das árvores que a faça chorar
É tão erótico quando você se esconde

Eu tenho uma fiação solta em minha cabeça
Eu tenho livros que nunca li
Eu tenho segredos no galpão do meu jardim
Eu tenho uma cicatriz onde todos meus anseios sangram
Eu tenho pessoas em baixo da minha cama
Eu tenho um lugar onde todos meus sonhos estão mortos
Nade comigo em seus mais negros olhos

Poucos minutos comigo dentro do meu furgão
Deveria ser tão belo se pudéssemos
Eu sinto algo tomando conta de mim

terça-feira, 22 de setembro de 2009



- Você pode fazer o que quiser, desde que não traia nem faça mal a ninguém!
- E não é o que eu digo!
Replicou a gorda mulher de estatura baixa, cabelo com corte indefinido com muitos fios brancos à mostra.
Enquanto ela caminhava por uma rua lateral ao calçadão da cidade, ouviu a conversa acima.
A raiva que sentiu daquilo foi automática – Ah, sim claro, sempre existe uma senão, ou uma condição – pensou – e continuou caminhando enfurecida destroçando o diálogo tacanho com uma acidez verborrágica e maldita:
Você pode fazer o que quiser ser o que bem entender desde que...

Desde que não prejudique a mim, desde que aceite sua condição de ser inferior, desde que não infrinja as normas sociais, desde que seja uma boa menina, depois pessoa e finalmente envelheça como toda “mulher honesta” da modernidade: frustrada, amarga, fria, cheia de problemas caseiros, problemas com os filhos, netos e agregados, com a flacidez externa do seu sexo surgida pelas depilações de anos e pela falta de exercício físico, a incontinência urinária que poderia ser evitada se tivesse coragem de experimentar o pampoar, uma pele brilhante e excessivamente esticada vítima das plásticas baratas que conseguiu fazer, pouco cabelo porque a química da tinta de terceira e dos cremes de alisamento criaram falhas horríveis no couro cabeludo, isso sem mencionar o desbotamento da maquiagem definitiva das sobrancelhas, olhos e boca, aquela que a deixou com a agradável expressão de cansaço eterno e com cara de boneca falante sabe como?
Poxa, esqueci de relacionar as frustrações sexuais, as escapadas do marido que você finge não existir preferindo o conforto tênue nos braços dos filhos homens (se por acaso os pariu) conjugada a uma frágil estabilidade financeira conseguida a fenomenais sacrifícios.

Daí sim você pode fazer o que quiser, desde que....

Extraído do Livro de Contos e Crônicas "Descompasso" by Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610.
Picture by Arthur Bual



E sentiam as frinchas que se formavam em suas vidas. E esmurravam as paredes em silêncio. Vazio. O vazio tirano se firmava a cada palavra acomodada na boca. As carnes antes convulsivas, hoje já não mais estremeciam quando ele chegava. Estava tudo plano. Tudo dito. Tudo certo. Cada um era apenas um. Um a mais na solidão párea. Ele quis, tentou resgatá-la, mas o desgaste...
Ela o viu partir. Era uma manhã ensolarada. As folhas das árvores balançavam conforme o vento as embalava. A medida que ele se distanciava não era a mesma medida da expectativa depositada quando se conheceram por acaso, naquele bar alternativo de pouca clientela. A medida que havia agora era a da certeza do sonho que não deu certo. Era tudo tão injusto.
Poderiam...
Se quisessem...
Mas não arriscaram...

II

E ela sentiu falta. Sentiu falta do sussurrar do seu nome no ouvido pela manhã só para acordá-la. Sentiu falta dos papéis espalhados na escrivaninha e do lixinho caído ao lado sempre entupido de folhas. Sentiu falta do odioso jogo de futebol semanal. Sentiu falta das mentiras esfarrapadas, desculpas improvisadas sob pólvora. Sentiu falta do cheiro dele na cama. Sentiu falta das longas reuniões em casas de amigos onde todos, na ânsia de impressionar, falavam coisas inentendíveis e que cúmplices se entreolhavam debochando sem que ninguém percebesse. Sentiu falta do macarrão instantâneo que comiam como se fosse banquete e da panela suja que inevitavelmente amanhecia sobre a pia. Sentiu falta das duas taças de vinho repousadas estrategicamente sobre a banqueta improvisada próximo a banheira Vitoriana comprada a árduas economias. Sentiu falta das brigas, mas sentiu mais falta ainda das reconciliações cheias de paixão e medo
By Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610

sábado, 19 de setembro de 2009




XII


Recobrei de plano o discernimento enganando temporariamente a lascívia. Agora, estando o desejo estanque precisava encontrar urgentemente o homem não muito novo e também não muito velho, mas onde? Humm! Novamente "o urubu da dúvida fazia sombra sobre meu ombro sob o caixilho da porta". Recrudesci por um momento. Firmei o olhar contra o bisotado espelho da minha penteadeira de tal modo, que do reflexo dos meus pensamentos surgiu-me à mente espantada como se tivesse sido expulsa de minhas entranhas uma idéia. Rumei ao encontro do passado. Apertei o passo durante a marcha despistando uma sentinela, um falsário, um homicida e um abutre. De fundo somente a sinfonia do destino ecoava em meus ouvidos. Alguns ladrilhos mais à frente e se liquidaria aquela situação. A vaidade me atormentava. A luxúria me perseguia. O ócio, agora, assenhoreado do tempo ria de todos, porém debochava especialmente de mim. No fim do caminho corvos me aguardavam. Não me intimidei. Olhei firme aos vãos do nada. Depois, juntando os lábios um contra o outro produzi um assobio estridente, ensurdecedor sendo freneticamente absorvido pelo ar. Todos que me perseguiam caíram enlouquecidos. Seus ouvidos sangravam. Muitos eram os gritos de dor e pavor. Mantive o sopro da mortalha saída da minha boca vesânia. Continuei a caminhar. Mais alguns passos e tudo se decidiria. De repente alguém não sei quem murmurou em meu ouvido: – Adiante, rápido!


XIII


Apertei o passo e continuei a jornada.
Caía uma garoa gelada e uma névoa mais à frente se anunciava. O calor havia se esvaído daquele ambiente. Estava frio, úmido. Dois ponteiros de um falecido relógio de bolso passaram correndo por mim saltitantes rumo ao nada. Senti o tempo me conduzir em sentido contrário. Uma onda de acontecimentos se desfazia de dentro dos anéis. Cada história era revivida de sobre um suspenso anel. Estaria em Saturno? Olhei ao meu redor e olhando enxerguei pessoas desfazendo os consumados fatos. Era tudo muito estranho. Da morte ao nascimento, tudo era reproduzido de trás para frente e na mesma velocidade do princípio. Mantive o ritmo inicial. A razão tinha a aparência de uma velha senhora e conforme meus pés pisavam o coração do chão, sua voz enfatizava ser muito tarde para uma desistência.
De repente o medo foi embora. Senti uma vontade pungente de me despir, ao mesmo tempo em que, desesperada resistia à minha natureza.
Enquanto me esforçava para manter o compasso dos meus passos subitamente encontrei pelo caminho alguns pergaminhos espalhados. Recolhi todos e novamente a astuta curiosidade que às mulheres persegue desde o início me fez sucumbir.
Abri um a um. Tentei ler, entretanto estavam todos escritos em um dialeto antiqüíssimo composto de palavras e muitos símbolos de origem celta. O mesmo abutre que imaginava tê-lo despistado agora sobrevoava disfarçado pelos céus e há muito também espreitava o urubu da dúvida.
Quando percebeu falho o disfarce despencou das nuvens se aproximando rapidamente. Alçou sobre mim um rasante na ânsia de arrancar meu triskle. Atirei-me contra alguns arbustos despencando ladeira abaixo. A rapina definitivamente perdeu o meu rastro quando um velho druida me auxiliou a empreender fuga através de uma espessa cortina de fumaça que rapidamente se espalhou pelo local. Uma incógnita ainda boiava mansa pelo ar...


XIV


Atiradiço o tempo, havia mudado de endereço me deixando às moscas. Nada mais refletia o momento daquele presente que agora já era passado. Avistei algumas pessoas, todavia eram estranhas, disformes, desproporcionais. Senti medo. Fechei os olhos e dei um passo depois outro, outro e mais outro. Mais algumas passadas e tudo se resolveria, ao menos quase tudo, pois ainda faltava encontrar o homem não muito novo e também não muito velho. Finalmente,o fantasma do homem santo não muito santo reapareceu à mim ali, bem ali, aonde o vento faz a curva, mais precisamente onde Judas perdeu as botas.
Extraído do Livro de Contos "Descompasso" by Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Furacão Catarina


Amor de Furacão

Eu quero um amor complicado
Que seja escrachado
Do tipo revoltado
Com toda essa falta de loucura


Eu quero um amor escorregadiço
Que exija de mim desde o início
Vida no lugar de utopia
E que me faça tremer as carnes de euforia
Sempre que me amar em precipício

Eu quero um amor acidentado
Não importa se maltratado
Mas quero que chegue esfomeado
Prestes a me devorar

Eu quero um amor de romeiro
Daquele sem paradeiro
E que é o mais verdadeiro
Do gênero que só sabe amar e amar

Eu quero um amor com efeito
Que se mostre de qualquer jeito
Que revele do menor até o pior defeito
Só pra me afrontar

Eu quero um amor desafiador
Que me invada sem pudor
Arrancando de mim todo furor
Sempre que desejar

Eu quero um amor com cama canalha
Que me enxergue como fêmea de batalha
Mas que me domine sem navalha
E me faça levitar

Eu quero um amor que vicie
Que se junte a mim no chão depois da briga
Que bata a porta na saída
Que rasgue minhas melhores roupas
e quebre os copos nas paredes
Quando de mim se enciumar

Eu quero um amor doentio
Sem linha, traço e regra
E que seja muito brega
Só pra me fazer lembrar
Que nós entre tantos,
Nós soubemos conjugar
O verbo amar!


Extraído do Livro de Poesias: "Alma" by Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados -Lei 9.610

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Michelangelo. The Creation of Eve. 1508-1512. Fresco. Sistine Chapel, Vatican.



Sheila Pithan, Anjo Estagiário

A pequena mulher de barro
Trazia nas mãos relicários
Decorados em diferentes planetas
Letra a Letra
Deus não teve escolha
Chorando em torrente
Acendeu incensos
Pela poeira do sol
e depois dos soluços sufocados
Consentiu pela partida
Foi assim que se deu seu nascimento
Feliz Aniversário,
Anjo estagiário!


Minha querida amiga, eu não saberia como cumprimentá-la de outra maneira hoje, nessa data tão especial, quando você se despede de um ciclo e inicia outro repleto de expectativas, conquistas todas, possíveis perdas, erros, acertos, mas inexoravelmente permeado com diferentes aprendizados e descobertas.
Tome esse poema para si, ele é seu.
Deus sofreu ao ver seu melhor anjo suflar as asas e partir...Você!

Amo-a como uma irmã.

Parabéns.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009



Música: Sufrágio
Letra: Lee Schuster


Você que se diz
um marginalizado
Um pobre coitado
Mais um humilhado
e que não sabe falar

vagando na rua
e o sol do meio dia
sorri e lhe diz bom dia
e você com a barriga vazia
se vê esfomeado, crucificado
se sente mais um enganado
manipulado
pelo espertalhão disfarçado
de cidadão

Você que se põe desse jeito
Um insatisfeito
Uma afronta
um capricho
e vive como um bicho
Sem poder protestar

Você que se diz
um marginalizado
Um pobre coitado
Mais um humilhado
e que não sabe falar


Será que esse meio
Essa dor ou postura
Não é pior que fissura
Remédio sem cura
Crendice ou burrice
E invencionices
Que usa pra disfarçar?

A sua incapacidade
De lidar com a realidade
Fruto da falta de criatividade
Que só faz te assombrar

Você que se diz
um marginalizado
Um pobre coitado
Mais um humilhado
e que não sabe falar

Escolhe outro jeito
Marcar de insatisfeito
É pieguice e balela
Só estressa a galera
Que quer revolucionar

Sai fora arruma outra vaga
Vai limpar privada,
ou então não faz nada
Mas deixa de atrapalhar

Você que se diz
um marginalizado
Um pobre coitado
Mais um humilhado
e que não sabe falar

Escuta o que vou dizer
presta bem atenção,
isso é papo sério
sem enganação:
Para de vender o seu,
o meu e o de voto de todos
Fazer isso é caminho sem volta
não tem solução!

Você que se diz
um marginalizado
Um pobre coitado
Mais um humilhado
e que não sabe falar...


Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

sábado, 5 de setembro de 2009



Inquietação

Quebro regras.
Parto-me ao meio.
Esfacelo os punhos esmurrando a ignorância, seiva maldita mantenedora de sofrimento.
Não sigo tendências.
Não coaduno com o comum.
Faço, desfaço, arrisco, me arrebento.
Sou frágil, sou forte.
Sou estéril de covardia.
Sou contra a idolatria.
Crio palavras, invento.
Produzo conhecimento.
Não sou papagaio de pirata.
Não caibo dentro do paradigma da normalidade.
Não aceito meias explicações, meias palavras.
Não corro atrás do tempo.
Ou amo, ou odeio.
Ou tudo, ou nada.
Sou filha da terra, prima irmã do vento!

Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Resumo


Terra. Sou Terra. Sal da Terra. Vento. Sou Vento. Vento Itinerante. Água. Sou Água. Água Borbulhante. Sol. Sou Sol. Luz Ofuscante.
Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

sábado, 22 de agosto de 2009

Picture by Peter Lanyon



Astúcia

A alegria surrupia da tristeza o viço
O sofrimento perde terreno, ingênuo!
Eis que sempre surge feliz o reinício
Suplício?!


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

Picture by Candido Portinari - Pipas


Reencontrei-me, Enfim!


Apaguei minha existência, desfiz-me de mim
Sem medo ou lástima, recomecei
Soltei-me ao vento
Catavento...
A identidade forjada se foi, eu permaneci
Já posso refletir no espelho
Longe de todos os pesadelos!


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.
Picture by Tarsila do Amaral - Operários


Eternidade

Em frente ao muro da vida
Encontrei uma corda e enforquei a morte
Que sorte!


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Picture by Marc Chagall - Lowers

Amar no século XXI...

Vejo gente que mal se conhece dizendo: “Amo você”. Então se eu seguisse os clamores da maioria também afirmaria inadvertidamente, que os amores hoje acontecem na mesma velocidade que terminam?
Abrindo um parêntese beeeeemmm grande excetuo desse texto ácido o amor à primeira vista, primeiro beijo, primeiro tudo...Ok?!
(Fechando o parêntese e retornando ao foco da questão...)
Seguindo a corrente mais simplista (e por vezes quase a totalidade) essa seria a explicação mais correta sobre a pós-moderna forma de se relacionar.
Bem, mas como não sou uma pessoa nenhum pouco simplista, tampouco alguém que adere por aderir, por julgar bacana ou algo similar, resta-me responder da seguinte forma: Depende.
Depende do interesse da parte daquele que se diz tomado por esse repentino, súbito e embriagador sentimento!
É sim, é isso mesmo!
Não sendo esse tipo de “amor” apenas uma conquista metamorfoseada em mais um número estatístico (o bom e velho caderninho, hoje agenda do celular), só pode haver um certo interesse residente cativo nas negras e labirínticas entranhas que o move.
Esses amores relâmpagos geralmente tendem a serem levianos, insubstanciais no sentido de passageiros e que, sem muito esforço, se revelam uma caricatura grotesca de tão nobre estado de espírito.
Costumo dizer, que o amor é o sentimento mais perseguido pelo homem através dos séculos. Você que lê isso aí do outro lado deve se perguntar: Ta e qual é o diferencial negativo de um amor forjado por certas necessidades?
Simples: O desequilíbrio. O desrespeito a liberdade de escolha do outro.
Sim, pois se para um dos envolvidos tudo se traduz em emoção, tempestades tropicais de sensações, inspiração poética, para o outro, se resume no máximo em dois critérios: um de oportunidade, e outro de conveniência.
Isso me assusta. A cada novo instante, encontro mais e mais pessoas com a saúde mental abalada.
Geralmente pessoas que sofrem de determinados transtornos, são altamente frustradas e ao mesmo tempo muito articuladas, capazes de gerarem ao entorno de suas vítimas uma cortina de fumaça impedindo-os de raciocinar já que são exímios manipuladores.
As diversas facetas daquele que manipula o sentimento do outro, se revestem de declarações exageradas de afeto, no estilo demonstrações minuto a minuto, capazes de fazer acreditar até o mais abalizado dos seres, ou o mais desconfiado!
Esse tipo de comportamento é revestido por um fundo psicológico imaturo, caprichoso capaz de demonstrar claramente a própria incapacidade de se relacionar, pois ao mesmo tempo em que querem intimidade, passam a não aceitá-la mais.
Por conta desse destempero seus relacionamentos são sempre superficiais, tendo como primado a mudança repentina de comportamento, ou seja, de um momento para o outro dizem adorar o companheiro, mas quando algo os intimida passam a odiá-lo a ponto de maltratar seu par sem o menor indício de culpa.
Pessoas com esse perfil psicológico são caprichosas, manipuladoras, calculistas e como não poderiam deixar de ser, verdadeiros parasitas.
Não invariavelmente conceituo pessoas com esse temperamento doentio como parasitas, ou sanguessugas.
Parasitas desse talante sugam o que conseguem do hospedeiro e quando esse nada mais tem para oferecer, separam os corpos e partem em busca de outra desavisada vítima, usando como justificativa àqueles do seu entorno, que o “amor” acabou, o prazo de validade expirou!
É assim, nessa esquizofrênica forma de amar, o hospedeiro desfalece seco como uma velha árvore, tendo como experiência amorosa todo tipo de amargor e rancor originados das muitas feridas forjadas para atender apenas as necessidades de um, e não para o crescimento e fortalecimento de ambos.
As pessoas confundem desejo sexual, compulsão, conquista, paixão, empolgação com amor transformando-se assim, em futuras vítimas desses que se dizem pessoas normais, amantes cosmopolitas e pós-modernos.
O fato é que existe muita carência circulando por aí...
Enquanto isso, seguimos sem saber ao certo, quem é quem nesse mundo vasto mundo, não é mesmo Drummond?
P.S. Amar é muito mais que um "Verbo Intransitivo" nobre Mário de Andrade, muito mais, pois é uma junção desses. Entre verbos e princípios jurídicos inexiste hierarquia, inexiste!
Fundamentação sobre o Transtorno de Personalidade Bordeline ou Limítrofe disponível no site: http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=184
Extraído do Livro de Contos e Crônicas: "Descompasso" by Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9610/98.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Antropofagia by Tarsila do Amaral


Mega Malabares


Colossal é a sensação do abandono
Espanca o juízo, escraviza a mente
Esquarteja a alma fazendo-nos delirar de tristeza
Ao sabor da impiedade é apenas mais um fato
Ato frio, mórbido, rijo como um corpo sem vida
Ah, seres desumanos, quando aprenderão que o Silêncio
Primo irmão da vida, de certo modo é inútil?

Triste é o fim dos sanguessugas,
Eles são dependentes demais para alçar vôo
Nada sabem, nada sustentam,
Apenas representam
Seus tolos e mórbidos desenganos!

E nesse jogo de cenas chamado simulação
Eis que sigo calada
alijada desse mundo sem clarão
aonde a loucura deixou de ser um mito
E há muito se tornou um triste rito...

Fujo!

Fujo dos olhos mocos dos loucos copistas
E sem querer tropeço em todos os parasitas
Que me perseguem nas veias das pessoas aflitas
Que atordoadas em suas tristezas
Rogam ajuda aos santos da compulsão
Como se eles pudessem resolver suas fraquezas
Problemas que carregam em forma de oração
Traição!
Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Rio D’Ouro, Agosto de 1939.

I
...

"Avançando sutilmente seguiu o ritual do início: um pé na frente do outro. Mais algumas passadas e chegou em frente à porta do seu quarto. Aproximou-se com cautela. Em seguida, tocando a maçaneta de porcelana antes de girá-la recostou o ouvido junto à madeira. Nada escutou.
Com um leve toque empurrou-a com as pontas dos dedos, mas essa não obedeceu de plano e preguiçosamente deslizou permitindo aos poucos, Amália conferir o interior do ambiente: a cama, a poltrona, o guarda-roupas, a escrivaninha tudo estava ali, intocado, sem indícios de um possível forasteiro remexê-los.
Depois do susto a mulher correu o olhar rigorosamente pelo local. Percebeu que na mesinha de apoio lateral à poltrona verde de Euclides, faltava o seu conjunto de água Baccarat presente de casamento de sua tia Eulália.
Aproximando-se encontrou a jarra partida ao meio e quase todos os copos em cacos espalhados pelo chão.
A raiva aqueceu-lhe o corpo subitamente, mas se manteve imóvel. Com os olhos inquietos continuou a silenciosa vistoria se esquecendo por minutos de procurar o intruso.
Foi nesse momento quando estava prestes a sair do quarto, surge bem à sua frente um gato preto de olhos vermelhos chamuscantes como o fogo.
O animal paralisou a marcha. Fitando seus olhos com jeito ameaçador soltou um grunhido estridente, fazendo sua alma tremer de pavor. Amália lançando rapidamente a mão sobre o ventre murmurou:
- Santo Deus, isso é sinal de mau presságio, mau presságio!
Nunca mais esqueceu daquela tarde, nem o grunhido do felino."
Extraído do Romance: Dama de Ouro - Baseado na Saga da Laranja no Brasil - Copyright © 2006 by Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados Lei 9.610/98.

domingo, 9 de agosto de 2009





RETICÊNCIA
...
Na presença dela
Jamais haverá
Ponto final



PROSA da PONTUAÇÃO

Exclamação! Interrogação? Reticência...!
Desculpe, o ponto final (.),
Também aqui não coube!



SOLIDÃO
(.) Ponto Final.
Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.
Picture by Salvador Dali



Íris

Aproximando as faces
Vi um mundo cintilante
Em seu olhar iridescente
Sulcado na vastidão do infinito
Refeito na trajetória augusta do mito
Auroreado pelo desejo aflito
Despertador da busca insana,
Esfera onde repousa a fera
Esteira de mares e ares
Bússola de mistérios
nascido nos finos dias
Onde chuvas vazias
Acariciam a alma da terra
Quimera frouxa de vontades
Mantenedora de inverdades
Obscurantismo das almas
Melindrosas, desencontradas

Fazem surgir...

Nevoeiros atônitos, conflitos
Confundindo vozes, rostos
erráticos de outras épocas
Segue apocalíptico nas fendas de todos os olhos!

Pelas íris de Catarino eu vi!
Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.
Picture by Elihu Vedder


Modelo-Manequim, ai de mim!


Dia desses ouvi um conhecido de longa data e que há muito não o via dizer estufando o peito:
- Casei com uma modelo!
De chofre quase remeti uma pergunta básica:
- Modelo de que? O que faz a digna pessoa para ter suas ações seguidas, destacadas e defendidas por legiões de outras pessoas?
No minuto seguinte, calei-me. Julguei melhor não polemizar, já que o interlocutor era pessoa de freado intelecto.
Na medida em que a conversa evoluía, aquela observação arranhava meus pensamentos em “lato sensu”. Desconfortável aquela situação, não pela possível competitividade feminina, mas pela maneira como as pessoas necessitam demonstrar que também são fonte de destaque, admiração!
Ah, como me incomoda o bom senso encontrar pessoas rasas, vazias, parcas, desprovidas de qualquer forma de conhecimento e, por conseguinte, cultura.
Hoje, existem inúmeras faculdades que não passam de meras vendedoras de certificados, descomprometidas verdadeiramente com a formação dos seus seres cognoscentes.
A “universalização do estudo” se transformou em habilitação de analfabetas funcionais em massa.
Mas, o que uma coisa tem a ver com a outra, deve se perguntar aí do outro lado quem lê esse texto!
Tudo! A Modelo em questão, também é graduada em Administração!
Bolas esqueceram que atualmente qualquer um pode comprar seu certificado de graduação, pós-graduação, etc, etc, etc.
Ainda, o pobre moço disse que vive se revezando entre pós, mestrado, MBA...Sem ao menos imaginar que para obter o título de mestre é necessário ter comprovadamente um segundo idioma fluente.
Pobre infeliz, mal sabia que eu detinha conhecimento específico acerca dos requisitos básicos.
Concluí então, que eis o motivo para usar o título da esposa – Modelo – como uma tresloucada tentativa amenizante da própria incapacidade.
As pessoas ainda não se deram conta que as aparências enganam?
E pior, que toda forma de superficialidade só conduz ao insucesso?
Não se adquire conhecimento sem se debruçar sobre os livros e estudar exaustivamente, debater teses, quebrar paradigmas, produzir novas teorias!!!
Sempre combati a repetição desenfreada de conceitos, eis um dos motivos que me fazem odiar as monografias e teses de conclusão de curso, inúmeros não passam de mera coletânea, ou compilação de saberes.
Por conta disso, me pergunto: Como pode alguém, não sei quem, ser tido como “modelo” para outros tantos?
Qual a contribuição que essa pessoa deixou para a humanidade num contexto geral? O que de bom produziu?
Ah, sim, muitos mais inflamados se erguerão dizendo: Beleza, a moça é um modelo de beleza!
Responderia de plano: Beleza? Ah... A qual tipo se refere, pois o mundo da beleza hoje está em decadência, haja vista seus padrões auxiliarem a anorexia, bulimia e toda forma de patologia... Mas, creio que deva se referir a padrões engendrados dentro do consumismo, esse realmente é para além de deprimente, incapaz de solucionar o problema em si, ao contrário, fomenta o círculo vicioso pertencente, gera milhões e faz as demais pessoas que não se enquadram, não se identificam ficarem à margem desenvolvendo no mínimo uma baixa auto estima e demais complexos de inferioridade!
Enfim, tenho para mim que a discussão, ou se alongaria, ou acabaria logo, já que as pessoas não são afeitas a discutir, pensar e raciocinar atualmente!
De minha sorte, posso apenas sentir profundamente tanta desinformação, falta de substância e conteúdo.
Pobre moço, mal o sabe que, aquela simples frase do início – Casei com uma Modelo – não muito desinteressada foi capaz de desenvolver uma rápida reflexão sobre o tema em si.
De meu lado pergunto:
E você também pega carona na mediocridade do infeliz, ou refletirá melhor antes de falar palavras desencaixadas do contexto?
Por último: Manequim é a palavra correta na substituição da outra: Modelo!


Extraído do Livro de Contos e Crônicas: "Descompasso" by Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9610/98.

sábado, 8 de agosto de 2009

Picture by Ariel Severino



[Candango]


Quem dera!
Não ser esse, nem aquele...
De você ser um apenso
extensão, cantão
Arremesso!
Algaravias sussurrantes
Seguirei falando
Além-mundo
Além-túmulo...

Quem dera!
mais um momento
Ou só minuto!
Para ouvir seu cheiro
se aproximando manso
Cheirar sua voz
através da sua boca
perfumada
convidativa
adocicada!

Quem dera!
Mais uma vez
Repousar minhas carnes nas suas
enlaçar nossas pernas
envolvê-las

misturá-las...

Quem dera!
Não ser esse, nem aquele
nem mais um entre tantos: candangos!




Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Picture by Salvador Dali



A esquizofrenia tomou conta das mulheres.


Pode parecer perseguição minha contra as mulheres , ou até figurar como um tipo de patologia desenvolvida a árduas frustrações pessoais, mas infelizmente posso comprovar que não é nada disso!
Vez, ou outra, assisto televisão, há muito perdi o hábito por força da solidão que cativo fielmente à escrita.
Num desses raros momentos longe do computador, tive minha atenção capturada pela chamada de um novo quadro naquele programa medonho denominado FANTÁSTICO, (cá para nós que de fantástico nunca teve ou terá nada para apresentar), pois bem, retornando dessa sarcástica digressão, eis que ouço:
“A Liga das Mulheres esse domingo terá uma nova missão. Arrumar um namorado para Kátia, uma paulistana de 27 anos que diz ter pouca sorte com os homens e blá, blá, blá...”
Óbvio que caí na risada, ou melhor dizendo, na gargalhada enquanto meu pensamento cambalhoteava:
- Não acredito que tem mulher desprovida de senso de ridículo, capaz de pagar esse mico!
Para minha indignação constatei: elas existem!!!
Só que agora surgem em rede nacional despejando aleatoriamente suas frustrações, insatisfações e toda sorte de sandices, sem ao menos consultar o pobre espectador!!!
Gezuis, como diria minha melhor amiga, Sheila.
A matéria para além de mal elaborada, conta com o reforço de cinco ou seis, não me recordo bem a quantidade, mas de cinco ou seis ajudantes que posam diante das câmeras como as “solucionadoras”.
Quanta idiotice. Quanta besteira falam, e ainda, apontam, apontam, apontam sabe-se Deus o que apontam, mas definirem, ou sugerirem alguma hipótese de solução são incapazes.
Não as culpo, pois essa tarefa jamais conseguiriam concretizar, uma vez que o problema é originário do contexto social mal elaborado, orientado melhor dizendo.
Então pergunto: Cinco, ou seis super mulheres e, por conseguinte, super poderosas vestidas com todo o merchandising possível serão capazes de resolver um problema eminentemente sócio, político, econômico, cultural e comportamental de mulheres nascidas no século XX, mas que vivenciam o XXI engajadas ferozmente à síndrome da cinderela abandonada?
Poupem raciocínio é mais sadio nem responder!
Assim como no século passado, as mulheres se deixaram manipular pelo “bom burguês” aderindo cegamente ao discurso da luta pelo feminismo sem ao menos avaliar, discutir, aceitar e rejeitar o que realmente havia no bojo das obscuras intenções.
De acordo com a boa historigrafia, a expansão econômica se deu às custas do sacrifício de inúmeras mulheres e crianças. Famílias e mais famílias suportaram um ônus impagável, movido unicamente pela voraz necessidade da burguesia em acumular riquezas.
Quando vejo “empresários” também conhecidos como empregadores, discursando com toda pompa e solenidade para seus “colaboradores”, me pergunto:
Será que ainda não perceberam todos que o Senhor Feudal ainda existe?
Como pode esse burguês, remunerar tão parcamente seus empregados, ceifando-lhes tantas oportunidades, e nessa destaco a chance de educar melhor os filhos e ainda assim, o empregado se manter fiel, dedicado, um verdadeiro entusiasta daquela “pessoa jurídica, se por detrás disso tudo existem interesses escusos de crescimento?
Quantas famílias trabalham em busca do lucro? Quantas famílias são necessárias para suster as necessidades de duas ou três?
Sim, não se enganem. Apenas os filhos do bom burguês tem acesso as melhores escolas, roupas, comidas, viagens.
Deprimo-me sempre que encontro nessas pequenas e grandes redes de poder inúmeras famílias trabalhando em benefício apenas de duas, três.
Aonde quero chegar com todo esse discurso?
Simples!!
No passado se tivéssemos aderido ao bom feminismo, àquele que discutíssimos e não comprássemos como uma tábua de salvação, aquele que promovesse um crescimento humano sério, não pautado em disputas desmedidas e impostas goela abaixo, quem sabe hoje não sofressem tanto as mulheres da pós-modernidade.
Nos países mais desenvolvidos, mulheres bem resolvidas se casam, tem seus filhos, trabalham e estudam, mas nunca se esquecem de cuidar da família.
Vejo que no Brasil, isso não ocorre. Aqui ainda nos damos ao luxo de fomentar pequenas aristocracias!!!
Sim, aristocracias. Escravizamos nossas semelhantes de modo menos culposo à nossa consciência, porque precisamos trabalhar e com isso, a casa, os filhos, o marido, a vida da família deve ser cuidada por uma terceira pessoa, já que é um dos lemas da voraz burguesia o acúmulo patrimonial a qualquer custo!
Com isso, ceifamos a possibilidade de outras mulheres se desenvolverem como pessoas, já que a força do trabalho dessa equivale a míseros tostões repassados no fim do mês.
Viram os desdobramentos que surgem de uma singela análise de uma matéria esdrúxula advinda de um programa mais esdrúxulo ainda?
Voltando a liga das mulheres, aquelas super poderosas citadas no início, e aonde entra a paulistana que não tem sorte com homens no meio de tudo isso?
Novamente digo, simples!!!
Ela, como todas as demais pertencentes a mesma faixa de idade, sofrem com o dilema do amor do século passado, conflitando com a velha dicotomia masculina, vocês conhecem aquela velha máxima masculina?
Existem dois tipos de mulheres: uma pra casar e outra pra se divertir!!
Acreditem, isso ainda vigora nos corredores da vida!
Não defendo os homens em absoluto, mas me poupem mulheres bem resolvidas financeiramente, trabalhadoras compulsivas, excelentes profissionais, e etc, etc, etc.
Vocês ainda não perceberam que para tudo há um ônus?
Ou vocês assumem o lado independente e partem para uma nova etapa, ou ficam choramingando em rede nacional, se expondo vexaminosamente como uma branca de neve abandonada, rejeitada e mal amada!!!
Definam-se!!!
Não é possível haver meio termo, as cinderelas ficaram nos contos dos irmãos Green, não cabem mais por aqui.
Não precisam mais os pais, familiares mandarem subliminares como faziam os parentes de outrora usando como pano de fundo mensagens do gênero:
“Cuidado com o nobre, ele apenas se aproveita das moças do campesinato, rouba-lhes a virgindade e vai embora, por isso não se envolvam, mantenham distância para seu próprio bem!!!”
Filosoficamente falando, uma outra análise daqueles contos também nâo cabe mais para o perfil da mulher forjada pelas necessidades do bom burguês!!!
Acordem mulheres, deixem de ser adormecidas!!!
Ninguém, homem algum se sentiria bem ao lado de mulheres tão indecisas.
Assumam o que são sem receios!
Não faço aqui apologia a grosserias, ou falta de civilidade, não mesmo!
Existem necessidades outras latentes mundo afora, façam a humanidade seguir, façam uma história mais engajada com a realidade, se movam na direção de ações dignas e necessárias como o combate à fome e a miséria, a pesquisa de novas doenças, o repúdio à tortura, ou o combate do trabalho escravo adulto e infantil, mas façam!!!
Quanto ao amor também evoluam e deixem de ser medíocres, por favor!!!
A Julieta de Romeu (Shakespeare), certamente detestaria a si mesma ao vê-las fazerem esse papelão inspiradas nela!!!
A Transmodernidade se iniciou há algum tempo sabiam?!
Digam não ao massacre e toda forma de manipulação feminina, que descomprometidas emissoras de televisão insistem em transmitir em forma de reportagem fantástica!
Enquanto isso, do outro lado, essas materiazinhas vão ao ar em busca somente de Ibope, ibope esse que se transforma em cifras monstruosas beneficiadoras apenas das “burras” dos exploradores da concessão, nada mais!!
As indústrias da mídia, da música, da moda, e da ignorância cultivada, agradecem felizes a desinformação, ou “enformação”, acreditem!






By Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados -




quinta-feira, 6 de agosto de 2009



Sweet Child O' Mine Minha Doce Criança

She's got a smile that it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything was as fresh
As the bright blue sky

Ela tem um sorriso que parece e
Me faz lembrar de memórias da infância
De quando tudo era fresco como o brilhante céu azul
Agora então, quando vejo seu rosto
Ela me leva para aquele lugar especial
E se eu olhasse muito
Provavelmente perderia o controle e choraria

Now and then when I see her face
She takes me away to that special place
And if I stay there too long
I'd probably break down and cry

Oh, oh, oh
Minha doce criança
Oh, oh, oh
Minha doce amada

Sweet child o' mine
Sweet love o' mine

Ela tem olhos do azul mais celestial
Como se eles pensassem na chuva
Eu odeio olhar naqueles olhos
E ver um traço de dor
Seus cabelos me lembram um lugar quente e seguro
Onde quando eu era criança eu me escondia
E rezava para o trovão
E para a chuva
Calmamente passarem por mim

She's got eyes of the bluest skies
As if they thought of rain
I hate to look into those eyes
And see an ounce of pain

Oh, oh, oh
Minha doce criança
Oh, oh, oh
Minha doce amada

Her hair reminds me of a warm safe place
Where as a child I'd hide
And pray for the thunder and the rain
To quietly pass me by

Para onde vamos?
Para onde vamos agora?
Para onde vamos?
Para onde vamos agora?
Doce criança?
Para onde?
Para onde vamos agora?
Oh, não, não, não, não
Minha doce criança

Sweet child o' mine
Sweet love o' mine

Where do we go
Where do we go now
Where do we go
Sweet child o' mine

...








Silêncio


Buscam os tolos, as conquistas
Sejam essas quais forem
Envaidecidos e cegos
Despontam para o êxtase que seduz
Igual a luz que arde na cega luz

Na prima facie o homem regozija
Enquanto a demência humana
Eloqüente enlouquece
Vaidade insana e pura
Que nos acompanha insegura

Ai de todos...


Extraído do Livro de Poesia: Alma - by Lee Schuster - Todos os Direitos Reservados - Lei 9.610 de 1998.

sábado, 1 de agosto de 2009


Picture by Caravaggio


Humana

Amar silenciosamente
É dor insubordinável
Escapa sempre um olhar
Que traduzo lamentável


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.
Picture by Winslow Homer



Eco

A voz presa na garganta
Insurreta me atinge
De costas
A coragem me abandona
acompanhada pela subterrânea memória
aonde todas as lembranças incendeiam
presas em telas indelicadas
registros impuros de restos de nada


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

Picture by Camille Bombois


Fim

Certas vezes sinto vontade
De divorciar-me de mim
E quando estou prestes
A dizer Sim,
A razão, besta-fera da noção
Puxa os freios e arreio
Presa na dimensão do não!


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster -Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.
Picture by Salvador Dali



Sedução

E quatrocentos anos se passaram desde então
Ou foram quatrocentas horas de antão?
Quem saberá, já não existo!
Há muito desabitei-me e parti
De onde vim, já não me lembro
Para aonde fui, um dia saberei?
Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster - Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

sábado, 25 de julho de 2009

Picture by Edward Hopper



quinta-feira, 23 de julho de 2009


picture by Salvador Dali



Existir sem desistência!

É difícil existir, mais difícil ainda, quando sentimentos como amor e ódio complementam as relações mais íntimas. O “pelagianismo emocional” seria subterfúgio ou uma alternativa esdrúxula explicável entre tantas divagações, encontros e desencontros?
Quem sabe!
Quem saberá!
Todos oras bolas!
Todos aqueles que já amaram e odiaram ao mesmo tempo saberão!
Sim, isso é possível. Tão possível que pessoas se apaixonam, mas não conseguem conviver sob o mesmo teto, já que as personalidades, os anseios, os temores e toda sorte de sentimentos inerentes se transformam em um turbilhão, e até com sorte em casos mais amenos um desconexo triângulo das bermudas!
Ah, a natureza humana é tão rica e egoísta!
Somos todos poços de egoísmo!
Todos os dias exercitamos a condescendência, a amabilidade e a caridade sem realmente querermos em nome da boa conduta, em obediência aos famosos freios inibitórios, esses que não passam de meros mascaradores da real vontade humana.
Hobbes tinha razão quando afirmou: “O homem é lobo do próprio homem”, quer um exemplo? Tenho um ótimo e intrigante já vivido por mim nessas minhas idas e vindas!
Alguma vez já se sentiu a pior das pessoas ao cobrar uma dívida de um amigo, irmão, pai, mãe, ou qualquer pessoa que conheça e estime?
Eu já, e odeio isso!
Verdade! A situação é a mais constrangedora possível sempre para o credor, o devedor automaticamente deixa de ocupar o polo ativo e passa para o polo passivo, ou seja, passa a figurar como a vítima, o coitado, o infeliz que não merecia receber tal cobrança.
Você se sente um monstro, um ser minúsculo, alguém desprezível e infeliz por dar causa a ação, seja essa para satisfazer uma necessidade financeira, ou moral.
Várias, ou melhor, dizendo, diversas foram as vezes que me enxerguei como uma pessoa repulsiva, odiosa toda vez que numa roubada dessas estava envolvida!
Diabos! Diabos mesmo!
Hoje procuro não emprestar nada, tampouco valores sejam esses morais, familiares, existenciais, ou de personalidade.
Ambíguos! Os devedores são seres ambíguos e dotados desse vil estratagema: Fazer o outro se sentir um alienígena!
Vai entender, eu há muito deixei de lado todas as tentativas e explicações plausíveis sobre o assunto, apenas cobro e pronto.
Acaso sirva recomendo: Cobre sem delongas, seja rápido e evite explicações, geralmente essas promovem toda a sorte de sentimentos de culpa, os quais ignoro igual ao famoso Leão da Montanha, ou seja, lanço mão da sua máxima “Saída Lateral pela Direita”, ela nunca falha, acredite!!!
Copyright © 2009 by Eliana Schuster
Todos os Direitos Reservados Lei 9.610/98

domingo, 12 de julho de 2009



The Hall Of Mirrors
Kraftwerk


The young man stepped into the hall of mirrors
Where he discovered a reflection of himself
Even the greatest stars discover themselves in the lookingglass
Even the greatest stars discover themselves in the lookingglass
Sometimes he saw his real face
And sometimes a stranger at his place
Even the greatest stars find their face in the looking glass
Even the greatest stars find their face in the looking glass
He fell in love with the image of himself
and suddenly the picture was distorted
Even the greatest stars dislike themselves in the looking glass
Even the greatest stars dislike themselves in the looking glass
He made up the person he wanted to be
And changed into a new personality
Even the greatest stars change themselves in the looking glass
Even the greatest stars change themselves in the looking glass
The artist is living in the mirror
With the echoes of himself
Even the greatest stars live their lives in the looking glass
Even the greatest stars live their lives in the looking glass
Even the greatest stars fix their face in the looking glass
Even the greatest stars fix their face in the looking glass
Even the greatest stars live their lives in the looking glass
Even the greatest stars live their lives in the looking glass


The Hall Of Mirrors (tradução)
Kraftwerk


O Salão Dos Espelhos
O rapaz entrou no salão dos espelhos
Onde ele descobriu um reflexo de si próprio
Mesmo as maiores estrelas si descobrem no espelho
Mesmo as maiores estrelas si descobrem no espelho
Às vezes ele viu seu verdadeiro rosto
E às vezes um estranho em seu lugar
Mesmo as maiores estrelas encontram seu rosto no espelho
Mesmo as maiores estrelas encontram seu rosto no espelho
Ele caiu de amor com a imagem de si mesmo
E de repente a imagem foi distorcida
Mesmo as maiores estrelas cismam com si mesmo no espelho
Mesmo as maiores estrelas cismam com si mesmo no espelho
Ele se fez a pessoa que ele queria ser
E mudou para uma nova personalidade
Mesmo as maiores estrelas si mudam no espelho
Mesmo as maiores estrelas si mudam no espelho
O artista está vivendo no espelho
Com os ecos de si próprio
Mesmo as maiores estrelas vivem suas vidas no espelho
Mesmo as maiores estrelas vivem suas vidas no espelho
Mesmo as maiores estrelas fixam seu rosto no espelho
Mesmo as maiores estrelas fixam seu rosto no espelho
Mesmo as maiores estrelas vivem suas vidas no espelho
Mesmo as maiores estrelas vivem suas vidas no espelho

sábado, 11 de julho de 2009

picture by Modigliani


"Se não sou, então ouso duvidar daquilo que um dia nunca serei..."


by Lee Schuster

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Picture by Edward Hopper


Chove. Que fiz eu da vida?

Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!

F.Pessoa, 23-10-1931


ANÁLISE

Tão ABSTRATA é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

F.Pessoa 12-1911



Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa Cancioneiro



Basta Pensar em Sentir

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa


Foi um momento

Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido.
Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há muita coisa
Incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
'Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

Fernando Pessoa


Longe de mim em mim existo

LONGE DEMIM em mim existo
À parte de quem sou,
A sombra e o movimento em que consisto.

Fernando Pessoa


Não quero rosas, desde que haja rosas.

Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?

Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.

Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?...

Fernando Pessoa, 7-1-1935.


O que me dói não é

O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.

Fernando Pessoa, 5-9-1933


Tenho esperança? Não tenho.

Tenho esperança? Não tenho.
Tenho vontade de a ter?
Não sei. Ignoro a que venho,
Quero dormir e esquecer.

Se houvesse um bálsamo da alma,
Que a fizesse sossegar,
Cair numa qualquer calma
Em que, sem sequer pensar,

Pudesse ser toda a vida,
Pensar todo o pensamento -
Então [...]
Fernando Pessoa, 11-12-1933.


Uma maior solidão

Uma maior solidão
Lentamente se aproxima
Do meu triste coração.

Enevoa-se-me o ser
Como um olhar a cegar,
A cegar, a escurecer.

Jazo-me sem nexo, ou fim...
Tanto nada quis de nada,
Que hoje nada o quer de mim.

Fernando Pessoa, 23-10-1931

terça-feira, 7 de julho de 2009

Picture by Yoshi-ikku Ichiyûsai




Empinando pandorgas





“Domar um gênio imprevisível é o mesmo que saltar sobre molas num abismo.”


“Eu não sou louca. Os outros é que dizem que sou!”


“Querem que eu seja aquilo que nunca conseguiram ser, inclusive nos fracassos!”


“As pessoas não entendem como é monótono ser desigual!”


“Tenho todas as contradições residentes em minha alma!”


“Se pudesse, exorcizava toda a criatividade que me assombra!”


“Gostaria que as palavras virassem pão. Assim, ao menos, minha verborragia seria útil!”


by Lee Schuster

segunda-feira, 6 de julho de 2009


picture by Paul Delvaux

Abandonei-me ao vento


Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode
explicar-te o vento que me invade.
E já perdi o nome ao som da morte,
ganhei um outro, livre, que me sabe

quando me levantar e o corpo solte
o seu despojo vão. Em toda a parte
o vento há de soprar, onde não cabe
a morte mais. A morte a morte explode.

E os seus fragmentos caem na viração
e o que ela foi na pedra se consome.
Abandonei-me ao vento como um grão.

Sem a opressão dos ganhos, utensílio,
abandonei-me. E assim fiquei conciso,
eterno. Mas o amor guardou meu nome.


Carlos Nejar

segunda-feira, 22 de junho de 2009


Écoute! tout se tait; songe à ta bien-aimée
Ce soir, sous les tilleuls, à la sombre ramée,
Le rayon du couchant laisse un adieu plus doux,
Ce soir, tout va leurir: I'irnmortelle nature
Se remplit de par uns, d'amour et de murmure
Comme le lit joyeux de deux jeunes époux.
A. DE MUSSET

Rosa! Rosa de amor purpúrea e bela!
GARRET


Murmúrios da Tarde
Castro Alves

Ontem à tarde, quando o sol morria,
A natureza era um poema santo,
De cada moita a escuridão saia,
De cada gruta rebentava um canto,
Ontem à tarde, quando o sol morria.
Do céu azul na pro undeza escura

Brilhava a estrela, como um ruto louro,
E qual a oice, que no chão ulgura,
Mostrava a lua o semicirc'lo d'ouro,
Do céu azul na pro undeza escura.
Larga harmonia embalsamava os ares!
Cantava o ninho-suspirava o lago...

E a verde pluma dos sutis palmares
Tinha das ondas o murmúrio vago...
Larga harmonia embalsamava os ares.
Era dos seres a harmonia imensa,
Vago concerto de saudade in inda!
"Sol — não me deixes", diz a vaga extensa,

"Aura-não ujas", diz a lor mais linda;
Era dos seres a harmonia imensa!
"Leva-me! leva-me em teu seio amigo"
Dizia às nuvens o choroso orvalho,
"Rola que oges", diz o ninho antigo,
'Leva-me ainda para um novo galho...

Leva-me! leva-me em teu seio amigo."
"Dá-me inda um beijo, antes que a noite venha!

Inda um calor, antes que chegue o rio..."

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Tempo - Hourglass - Image by © Royalty-Free-Corbis


Encontro

A vida segue, cumpre o rito
passo a passo
Firma-se aqui e ali
e a cada descompasso
Não transige,
Um dia a mais sem você
São momentos perdidos em nossa história
Lacuna: espaço deixado no texto, folha em branco abandonada de memórias...


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster। Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

Nanquim

Antegozando a carnalidade enfurecida
Fixada no olhar do jovem sibarita
Transbordador de forças centrípetas
Quadrilátero intérmino das orlas aflitas
Torrencialidade de sonhos
Traduzidos nas brasas da escaldante boca
Berçário de desejos profanos
Vi na nudez dos seus olhos
anseios eclipsados pelos seios das incertezas
idiossioncrasias vulcânicas, elípticas
sementeira de girassóis transubstanciados
nos quadriláteros intérminos da íris aflita
Vi na nudez dos seus olhos
Mais do que a dupla cor
Vi toda a lascívia impura e perfeita
Brotada da fome exuberante das conquistas


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

terça-feira, 16 de junho de 2009

picture by Bryce Cameron



Madrugada

Madrugada, mulher silenciosa
recolhida, ensimesmada
envolvente, caprichosa
no corpo longilínio
Permanecem as curvas....
Exalam frescor, viço
ou seria um tipo de feitiço?
Alucinação?
Delírio?
Não!
A madrugada, filha da noite
sua mãe solteira
tem na lua companheira, amiga...
E a lua sedutora, cede espaço e luz à ela
A bela, moça misteriosa e solitária
que agora vagueia ao meu redor, estonteante
arrebatando qualquer um com seu lamento, sua dor
Num instante...
Muda de palavras
Expressa no olhar desassossego
Ah! Quem dera!
Haverá algum momento em que ela, a Madrugada
envolta em seu negro véu seguirá prendendo
contra o peito choroso, aflito, um acalento?
Encontrará ele, o Dia seu único amor?
Sim, ele o Dia, filho da História com os Séculos
moço sorridente, radiante, bem apanhado!
Quanta dor eu sinto nela, na alma da Madrugada!

No véu negro repousavam seus longos cabelos...

Diz a lenda, prima do Tempo
que no auge da sua tristeza
dor aguda, sufocante
a Madrugada encontrou um meio
a esse tinhoso ardor amimar
e munida de coragem e fé
veio ter palavra com Tomé,
guardião do universo, da vida, da sina
comovido com sua angústia,
Tomé concedeu-lhe uma benesse
agora, todas as vezes em que amanhecer o dia
com o céu chuvoso, cinzento
estampado de nuvens escuras
saberão todos, que a Madrugada
filha da noite, sua mãe solteira
encontrou-se com seu único amor,
o Dia, filho da História com os Séculos
por isso nunca se sabe ao certo
se nesses momentos diz ser noite, ou diz ser dia...
Entretanto, uma coisa é certa;
Ela a bela Madrugada agora não está mais só...
Bondosa, gentil generosa
visita-me todas as noites
chega mansa, acena com a cabeça
senta ali, naquele canto
e chama todos os sonhos para meu companheiro

É sempre igual nada muda, nada altera
nada...
Solidão a dois de quem ama
começo do abismo
declínio, tristeza
rancor, arrependimento, medo
e ele, sempre ele
o inaceitável Fim!

Curitiba, 4:30am 10-10-2008.

Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

sábado, 6 de junho de 2009

Far Away - Nickelback
My Favorite Song...




Far Away
Nickelback

Composição: Chad Kroeger


This time, this place,
Misused, mistakes
Too long, too late
Who was I to make you wait?
Just one chance, just one breath
Just in case there's just one left
'Cause you know, you know, you know...

CHORUS:
I love you
I loved you all along
I miss you
Been far away for far too long
I keep dreaming you'll be with me
And you'll never go
Stop breathing if I don't see you anymore

On my knees, I'll ask
Last chance for one last dance
'Cause with you, I'd withstand
All of hell to hold your hand
I'd give it all
I'd give for us
Give anything but I won't give up
'Cause you know, you know, you know

CHORUS:
I love you
I loved you all along
I miss you
Been far away for far too long
I keep dreaming you'll be with me
And you'll never go
Stop breathing if I don't see you anymore

So far away (So far away)
Been far away for far too long
So far away (So far away)
Been far away for far too long

But you know
You know
You know
I wanted
I wanted you to say
Cause I needed
I need to hear you say
I love you
I loved you all along
I forgive you
For being away for far too long
So keep breathing
Cause I'm not leaving you anymore
Believe it Hold on to me and, never let me go
Keep breathing
Cause I'm not leaving you anymore
Believe it Hold on to me and, never let me go
Keep breathing Hold on to me and, never let me go
Keep breathing Hold on to me and, never let me go

...and I´m Far Far Away

Uma Homenagem a todas as formas de amor


Não sou hipócrita, não fecho os olhos e aponto na direção daqueles que não se enquadram dentro do paradigma da normalidade. Não sou Bi, nem homo sou Heterosexual, mas não sou diferente de absolutamente ninguém. Sou literata, artista, poetisa, contista, cronista, romancista, bacharelanda em direito e acima de tudo, ser humano. Estou na mesma condição que todos os demais. Sou HUMANA, GENTE, PESSOA, SUJEITO DE DIREITO. Um dia fui um bebê com cara de joelho e desdentada, mas todos me olhavam e diziam: "Que lindo bebezinho!"
Hoje sou crescida e todos dizem: "Que pessoa mais estranha..." kkkkkkkkkkkkk Divirto-me com aqueles que se escondem atrás das suas próprias mentiras, seus enganos.
Ah, seres des(humanos) como podem recriminar seu semelhante? Não faço aqui apologia as aberrações, àqueles que fazem das diferenças caricaturas e que se transformam em alvo de expurgo, lixo, sátira ambulante. Defendo apenas o sentimento puro, o bem querer, o amor, aquele sentimento tão perseguido pelo homem séculos após séculos.
E quem terá coragem de defender seus próprios ideais?
Não é mais fácil atirar a primeira pedra e se esconder atrás das sórdidas moralidades?
Tolos. Somos todos tolos. Somos descrentes. Somos intolerantes e acima de tudo, somos invejosos frente a alegria do nosso semelhante. Somos também egoístas e não temos coragem de reconhecer nossas próprias falhas. Corroemos e destruímos sentimentos puros igual a ferrugem que destrói o aço sentindo um mórbido prazer em ver o outro ser atingido, massacrado.
Basta! Acabaou a era do pandectismo, da "Dura Lex sed Lex", digo não às pseudo idissioncrasias, aos mimetistas de plantão e a todos os parasitas, sanguessugas!
Sou livre. Estou livre e para eu é isso que importa!
Amor, apenas amor, nada além do amor...
Palavras também Dedicadas à coragem e pureza de Renato Russo


Strani Amori
Renato Russo

Composição: R.Buti/Cheope/M.Marati/A.Valsiglio

Mi dispiace devo andare via, ma sapevo che era una bugia
Quanto tempo perso dietro a lui,
Che promette poi non cambia mai

Strani amori mettono nei guai, ma in realtà; siamo noi.
E lo aspetti ad un telefono, litigando che sia libero
Con il cuore nello stomaco, un gomitolo nell'angolo
Lí; da solo, dentro un brivido, ma perché; lui non c'è, e sono

Strani amori che fanno crescere e sorridere tra le lacrime
Quante pagine lì; da scrivere, sogni e lividi da dividere.
Sono amori che spesso a quest'età;
Si confondono dentro quest'anima
Che s'interroga senza decidere, se è; un amore che fa per noi

E quante notti perse a piangere, rileggendo quelle lettere
Che non riesci più; a buttare via, dal labirinto della nostalgia
Grandi amori che finiscono, ma perché; restano, nel cuore

Strani amori che vanno e vengono,
Nei pensieri che li nascondono,
Storie vere che ci appartengono, ma si lasciano come noi

Strani amori fragili, prigioneri liberi,
Strani amori mettono nei guai ma in realtà; siamo noi
Strani amori fragili, prigioneri liberi,
Strani amori che non sano vivere e si pergono dentro noi

Mi dispiace devo andare via, questa volta l'ho promesso a me
perché; ho voglia di un amore vero, senza te

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Parafraseando

Quando imagino, esculpo
Quando penso, sustento
Quando choro, lamento
Quando sofro, sinto
Quando me entrego, vivo
Quando não vejo, não sou eu
Deixei de viver pelas sombras
assumi minha metamorfoseada alma
na loucura encerrada nas paredes frias
mudos são os desejos
que rebocamos dentro do peito
sufocando as intenções mais desastrosas
Humanos...
Todos nos curvamos um dia
Ele sabe, nós ignoramos
Defendemos
cerramos os punhos
e esmurramos a razão
Contradição!

Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

domingo, 24 de maio de 2009

Efêmero

Corcel açambarcado de desejos
Eremita
Alça-se pelo véu branco do tempo
Delirante
Num repente
Eriça os pelos
Arrepia a pele
Vibrando nas carnes convulsivas
Irrompendo o deleite
Flagela a mente, afugenta a razão
Tombando o homem

Segundos depois...

Foi-se como um sopro
O prazer do corpo
Sextavado da alma
Após o gozo!


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

sábado, 16 de maio de 2009

Ausência

Ausência é a cobrança da lembrança, sentimento perdulário
Ignoro o monólogo do destino retirando da alma um suspiro
O tempo, é o vento solitário, que vejo esculpindo a pedra
Bato o martelo com força oblíqua despistando as vésperas da saudade
Adiciono asas às partículas dos átomos e vôo
Intenções ocultas se recompõem irrompendo atrás de todas as lágrimas
Oscilo nos limites do amor e da loucura...


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

XI


Única vez que tremi. Única vez que sofri dividida entre um prazer santo e outro profano. Justo eu Marta – um raio – sovaquinho e almiscar – dona de todos os prazeres carnais capaz de enlouquecer todos os homens – como poderia ser dual, previsível, comum? Não resisti। Senti-me sufocada como em uma cela, aprisionada, cativa. No peito a ânsia de encontrar Aurélio – Aurélio, Ah, Aurélio! – latejava me cortando as entranhas. Das roupas que vestiam meu corpo incendiaram-se todas nem pó sobrou. Medo. Tive medo. Senti raiva e depois ódio, muito ódio. Eu Marta – um raio – sovaquinho e almiscar ali sôfrega, trôpega qual a um cordeiro antes de ser abatido. Como dói o dilema do amor e do prazer. Na verdade são dois dilemas. Um, para apaziguar as vicissitudes da alma, o outro para sangrar os desejos das carnes. Sinto minhas vísceras se dilacerando na arrebentação das lágrimas. Corri desesperada. Corri nua pelo labirinto. Um desconhecido me alcançou empreendendo fuga e alçou sobre mim uma estranha capa cobrindo completamente meu corpo. Não o reconheci era um homem sem rosto. Apenas os olhos brilhavam em uma tonalidade de cor desconhecida, inexistente. Com um agudo grito ecoando pelos cantos do meu quarto acordei mergulhada em suor e pânico. Deslizei as mãos até o ventre. Meu corpo ainda estava totalmente nu como no sonho. Depois, procurei pelo rubro sangue de minhas entranhas não encontrando nada, nem uma gota. Senti frio. Senti medo. Senti prazer e alívio! Lembrei da promessa do gozo perdido por Aurélio – Aurélio, Ah, Aurélio! Lembrei do homem não muito novo e também não muito velho na tarde não muito tarde da tarde que apressada pisei o chão da sala da biblioteca pública amassando covardemente as solas das minhas cintilantes e não menos belas sandálias...
...
XV

A primeira coisa que pensei foi no prazer. A segunda foi no silêncio. Havia silêncio boiando pelo ar. Tremi. Sentia as carnes se contorcendo pelo corpo. Precisava daquilo. Desejava a ponta da sua língua deslizando pelas minhas virilhas. Arrepio. A pele respondia ouriçando os pelos a um toque quase sentido. Um calor úmido se desprendia por entre minhas coxas. Libido. Volúpia. Frisson. Carne, somente carne e desejo. Um pensamento apenas meu e não dividido manteve fixo o olhar no imaginado membro, membro quente, viril, rijo. Busca. Aflição. Na cena vi mãos que se digladiavam aflitas explorando. Tempestades. Muitas foram as tempestades que impediam qualquer investida. Senti falta de me insinuar a uma qualquer – boca de homem que contivesse o melhor hálito de homem, língua de homem, cheiro de homem, braço de homem, pernas de homem, ventre de homem, peito de homem, mãos de homem, força de homem, libido de homem, impetuosidade de homem, desejos de homem, coragem de homem, homem inteiro não divido e inacabado. Homem que por umas escapadas horas da noite apenas e tão somente se fizesse viril e que de sua carnuda e vistosa boca meu interesse residiria somente nos seus lábios e em sua língua fugidia que atrevida deslizaria sobre e dentro de meu sinuoso e convidativo corpo.
...
XVII

O desejo fervia as carnes consumindo a razão। Eu precisava daquele homem rasgando as vísceras entrando dentro de mim. Ardia, queimava dilacerante aquela vontade do gozo prometido por Aurélio – Aurélio, ah! Aurélio! Foi aí que recordei do – “escrotarium barbosorium, de um certo ninguém, sibarita maldito pela igreja no século xiii, que para escapar ao jugo de seus perseguidores se enforcou pelo próprio pé, ressuscitando nove meses depois do útero de uma virgem do culto de ísis, tendo a seguir fugido dentro da barriga de um crocodilo do nilo que confundira seu membro com a tromba de um elefante, finalmente desembarcando nos trópicos sob os auspícios milagrosos de uma antiquíssima sociedade secreta, da qual se tornou o líder e – dizem – graças a seus segredos, está vivo até hoje" – escrito único capaz de transformar Aurélio – Aurélio, Ah, Aurélio! – em homem comum e a mim uma mulher satisfeita, completa. Precisava reavê-lo para em seguida satisfazer toda minha lascívia sibilante. O chamado da carne se fazia latejante, insuportável. Satisfiz meus apelos carnais solitariamente ali no canto escuro do quarto em que a noite ainda virgem não ouviu nem sentiu gemidos, sussurros, êxtase e gozo. Solitariamente permaneci contraindo as carnes recolhendo minhas agruras e desenganos.
A ceifa não se fez naquela noite e durante outras tantas permaneceu abstrusa, intacta, contida ali, bem ali no toque insano das minhas mãos no limiar do impossível entre a vergonha velada e o tédio aflito।
...
XXI


Uma sensação estranha me envolvia। Enquanto caminhava a lembrança do homem não muito novo e também não muito velho me seguia. Os fantasmas do séqüito ficaram mais atrás. O homem santo não muito santo também ficou. Eu continuei e caminhando sem sentir os passos, parecia levitar. Foi aí que zaz! Aguda. Uma dor aguda atravessou minha alma. Seria a mão do diabo? Seria Barbosorium? Quem poderia fazer aquilo? Sim quem pretendia roubar minhas entranhas? Continuei a marcha enfraquecida. Do caminho avistei ao longe uma bifurcação e luzes coloridas. As imagens agora se misturavam contorcendo-se à minha frente. Eu precisa seguir. A cada passo a força do meu corpo se esvaía. Precisava continuar o homem não muito novo e também não muito velho dependia de mim! Todos dependiam de mim! Ele dependia de mim...! Ele...quem? Alguém...eu sei quem!
...
XXVII

Um fato concluiu todo aquele ato. Ele o senhor da sina se regozijava em minhas entranhas qual a um açoite. Suportando a dor da ausência desejei mistura-la ao prazer. Eu desejava Aurélio – Aurélio, Ah, Aurélio! – sabia que somente nele encontraria a luxúria tão aguardada. Eu, Marta – um raio – sovaquinho e almiscar necessitava sentir novamente o viço de um homem, mas não homem apenas homem e sim, uma fera astuta, matreira, dominadora e sedenta. Minhas carnes ardiam qual a brasas ansiando pelo toque másculo e forte daquele com quem travaria uma luta visceral de prazer e dor. Domínio, sedução, desejo insano inesgotável. Amor profano, pagão, ilimitado.
Senti falta de me insinuar a uma qualquer – boca de homem, que contivesse o melhor hálito de homem, língua de homem, cheiro de homem, braço de homem, pernas de homem, ventre de homem, peito de homem, mãos de homem, força de homem, libido de homem, impetuosidade de homem, desejos de homem, coragem de homem, homem inteiro não divido e inacabado। Homem que por umas escapadas horas da noite apenas e tão somente se fizesse um viril homem e que de sua carnuda e vistosa boca meu interesse residiria somente nos seus lábios e em sua língua fugidia que atrevida deslizaria sobre e dentro de meu sinuoso e convidativo corpo. Entretanto, a imagem de Aurélio – Aurélio, Ah, Aurélio! – me afugentava a razão. Dele eu queria muito mais que a sua língua fugidia, pretendia ter seu membro viril entrando e saindo com movimentos rítmicos e acelerados de dentro de mim. Senti meu sexo intumescer e meus seios enrijecerem. Meu corpo cobrava prazer. Minhas carnes tremiam. Uma onda de desejo invadiu minhas entranhas. Não me contive por alguns segundos sucumbi escorregando meus dedos até meus seios, porém antes de prosseguir levei as pontas dos mesmos ao meu sexo para umedecê-los e por fim, toquei deslizando primeiro suave e depois com mais força, os bicos duros. Depois daquele efêmero prazer, conferi o calor que exalava por entre minhas coxas. Meu sexo agora completamente úmido ardia, pulsava, latejava exalando o meu cheiro de fêmea ao mesmo tempo em que dava indícios que logo estaria pronta para ser penetrada e sim sentir apenas sentir, muito prazer.
Copyright © 2007 by William Teca e Eliana Schuster
Todos os Direitos Reservados Lei 9.610/98
A Fábula da vida

Os Segundos, meninos matreiros
Vieram me dizer que seus primos
os Minutos, estavam chegando.
Em seguida, ouviu-se uma voz feminina
e precisa da mãe Hora, que vinha
de mãos entrelaçadas com seu jovial marido
o Tempo
E o que seria tudo isso?
Perguntou o Décimo de Segundo,
primo irmão do Tempo.
E a Hora jocosa, respondeu astutamente:
É o complô da vida,
que se inicia com o nascimento
e segue até a morte!
E, eu, apenas ouvi sem nada dizer...
Encantamento!


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A Bela

No seu silêncio, ecoam vozes
Todas procuram a bela
a menina que desabrochou mulher
desaguou sorrisos encantadores
ancorou o viço nas carnes
se fez notar sem perceber

Mulher de graça incontida
Beleza resplandecente, etérea
Sorriso doce, artesanal
ou seria angelical?
Muitos a desejam

Mas ela, a bela, transcende
Inebria a um só toque
É toda delicadeza nos gestos
feminilidade cravada na alma
mesmo depois, de percorrer as trincheiras
e saborear o hálito das batalhas
não se intimida, destemida!
É guerreira, mulher e rainha
Dona do seu tempo,
senhora de si
e soberana

Ela é toda encantamento!

À Thálita Antunes, a mulher que se revela e fascina em seu silêncio!

Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.
Desejo

Sensação nascida das tempestades
nos arremessa contra os muros
somos frágeis diante dele, do senhor dos corpos,
Desejo: palavra ambígua que atende tanto ao gênero
como a espécie!
Deflagrando as almas
agita, tumultua
faz girar
por instinto, amor ou necessidade
Enevoa o olhar da razão
Amordaça o bom senso
Aprisionando-o num repente!
Dissimulada, a sensação do desejo
desdenha, avança, toma posse
sorridente, faminta, afoita,
arranca delírios, furor
Ferve o sangue
Rubor!
Incansável, insaciável, sedenta
domina todas as palavras
que mudas de vozes, se socorrem
falando através da expressão do olhar!

Ah! O olhar!

Substituto da boca, da voz
da língua que incansável,
se ocupa em explorar a pele
e todos os seus recantos
que embriagada na paixão
eriça os pelos, faz gemer,
até faltar o ar!
Então
Do ardor, do êxtase e fulgor
renascem todos os arroubos da alma,
que desenterrados do corpo
invadem as carnes por uma onda de calor
maremoto jungido de pura volúpia
extenuante, genuíno
Prazer,
Arrebatamento!

Sou toda eclipse!


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.
Ilusão

O hoje se vive no ontem
O ontem é tragado pelo amanhã
O amanhã é espiado através do passado
O passado é refúgio do presente!
Afinal, quando existiremos?


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.
Quasar

Crio palavras decantando emoções
Desvendando esconderijos sigo em corredores
Na ânsia...

Transformo-me em borboleta
Flutuo entre asas coloridas
Sobrevôo labirintos sedutores
De repente

Reencontro todos os amores
Retorno ao começo de cada um deles
Num segundo,
Arremesso-me ao vento
E me vejo desvestindo pudores
Oferecendo ramalhetes e flores
Emoções diferentes encharcam a tina, vicentina,
Então, finalmente compreendo:
Estampados na face da mulher metamorfoseada
Estão todas as sereias।


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.
A Fábula da Menininha

Foi numa manhã de inverno
que nasceu a menininha!

De bochechas rosadas
e pele bem branquinha
que gordinha era a menininha!

A menininha tinha uma irmãzinha
que nascera antes dela
que admiráveis eram aquelas!

Assim que começou a respirar
sua mãe a rejeitou e, a menininha,
chorosa e triste ficou
pobre menininha!

O tempo passou
e a menininha aprendeu a engatinhar
com seu pano de cheirar
ia a todo lugar

Logo depois, trocou o primeiro passinho
e mais outro e outro, até a casa sozinha atravessar
Aleluia! A menininha já sabia caminhar!

De vestido estampado e calcinha de rendinha
o dia inteiro brincava de amarelinha
a danada da menininha!

No verão, usava chinelos de coloridas tirinhas e maria chiquinha
e no inverno, pijama de flanela e meias de tetinhas
que exigente era a menininha!

A menininha continuou a crescer
e das lembranças do passado
somente os seus muitos cachos dourados

Mas, a danada da menininha quando estava sozinha
gostava de juntar as letrinhas e formar muitas palavrinhas
que talentosa era a menininha!



Mesmo antes de ser alfabetizada
já sabia ler e escrever, mas para não sofrer
dizia a todos nada saber
como se protegia a menininha!

A menininha cresceu
e na escolinha foi estudar
que saudade da chupeta e do Baltazar!

Na escolinha conheceu a biblioteca
que magnífica descoberta!

A professora ensinava matemática
história, português e geografia, mas
só nos livros é que encontraria
as fabulosas poesias
quantos sonhos menininha!

E a menininha se pôs a ler e apreender
no início soletrava as letrinhas
mas, depois, começou a ler de trás para frente
e de frente para trás foi aí que Zaz!
o mundo ela passou a conhecer!

Só o que a menininha não sabia
é que a sua vida a surpreenderia
que suspense aguardava pela menininha?

Um dia, a mãe da menininha que dela nunca cuidara
surgiu do nada para então censurá-la:
que fracasso menininha!

Só que agora a menininha
não mais se entristeceria, pois soube
que a mãe, era uma pessoa vazia!
que infeliz constatação menininha!

E o tempo passou, passou, passou
e uma tarde na escolinha um novo
amiguinho chegou
que fantástico menininho!

O menininho que de tudo entendia
estudava matemática, física, química
como se fosse poesia
que danadinho aquele menininho!

E foi na biblioteca da escolinha
que o danado do menininho
da menininha se aproximou
que simpático casalsinho!

Mas no dia seguinte, naquele lugar
o menininho não voltou, e a menininha
novamente triste e solitária ficou
coitadinha da menininha!

E depois de muito chorar
a menininha se lembrou: Eureka!
o endereço atual, o menininho deixou
que danadinha aquela meniniha!

E a menininha pôs-se a escrever
escrever, escrever ao menininho
que sozinho lia todos os seus recadinhos
que saudades do fantástico menininho!

O danado do menininho depois de muitos meses
finalmente uma resposta à menininha mandou:
"Querida menininha sinto muito
penso que você se enganou..."
quanta infelicidade menininha!

Foi aí que a menininha
as bochechas não mais corou
pois, uma bactéria malvada
no seu coraçãozinho
uma terrível doença plantou
que tragédia menininha!

Depois disso, a menininha, com tudo se revoltou
e a escolinha definitivamente, abandonou
Hum! Que feio! Merecia umas chineladas a
danada da menininha!

E a menininha, o mundo então ganhou
sua irmazinha e seu amiguinho
escreviam à menininha dizendo:
porque a nós abandonou?

Mas o que a menininha não queria dizer
é que em breve, ela iria morrer
que tragédia menininha!

Dito e feito, logo a menininha partiu
em uma tarde de um sorridente e
colorido mês primaveril
quantas saudades menininha!


E dizem alguns anjinhos que
lá do céu ela ainda escreve
ao danado do menininho!

Mas uma coisa também era certa:
Que fantástico era aquele menininho!

Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.
Poema dos bem amantes

Do carmim raro a cor fugia
De que fugia a cor da vida?
Das auroras perdidas
das brumas vagarosas
do medo, do nada
E se ria!

Oh! Odiosos tentáculos da solidão!
Oh! Aprisionada ilusão!
As madressilvas minguaram
O ar sorrateiro despediu-se
da jovial atmosfera insípida


Ali, bem ali, onde o vento cobria as árvores
farfalhavam suas folhas
Entrelaçados um ao outro
Os amantes se confundiam, se misturavam
E como dois nefastos e profanos
Se perdendo se uniam
Não havia sequer hiato
Não havia sequer pesar
Douravam as vigas da vida
Alhures da carne


Um suspiro profundo
As mãos aprisionadas
Os corpos aflitos se agitavam
À procura das bocas

De longe
Ouviam-se apenas gemidos todos suplicantes
Sussuros desvalidos
Cântaros, cítaras
Arpas e velas chamejantes
A vida viciava qual ao vinho
A morte libertava qual a terra


Em um qualquer dia de verão...


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.








Museu Virtual Gentileza - espaço dedicado a fotos e textos sobre o Profeta Gentileza (José Datrino, 11.04.1917-29.05.1996), com o propósito de ajudar a preservar sua história e sua mensagem.

Biografia (fonte: WikiPedia)
Sua infância
Com mais nove irmãos, José Datrino teve uma infância de muito trabalho, onde lidava diretamente com a terra e com os animais. Para ajudar a família, puxava carroça vendendo lenha nas proximidades. Desde cedo aprendeu a amar, respeitar e agradecer à natureza pela sua infinita bondade. O campo ensinou a José Datrino a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, como profeta Gentileza, se dizia “amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento”. Desde sua infância José Datrino era possuidor de um comportamento atípico. Por volta dos doze anos de idade, passou a ter premonições sobre sua missão na terra, onde acreditava que um dia, depois de constituir família, filhos e bens, deixaria tudo em prol de sua missão. Este comportamento causou preocupação em seus pais, que chegaram a suspeitar que o filho sofria de algum tipo de loucura, chegando a buscar ajuda em curandeiros espíritas.

No Rio de Janeiro
Aos vinte anos foi para o estado do Rio de Janeiro, enquanto sua família mudava-se para Mirandópolis, também cidade do interior de São Paulo. No Rio de Janeiro, casou com Emi Câmara com quem teve cinco filhos. Começou sua vida de empresário com um pequeno empreendimento na área de transportes, onde fazia fretes para o sustento da família. Aos poucos, o negócio foi crescendo até se tornar uma transportadora de cargas sediada no centro da cidade.

Surge o Profeta Gentileza
No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, quando tinha 44 anos, houve um grande incêndio no circo “Gran Circus Norte-Americano“, o que foi considerado uma das maiores tragédias circenses do mundo. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças. Na antevéspera do natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alucinado ouvindo “vozes astrais“, segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro longos anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras “Agradecido” e “Gentileza”. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar “José Agradecido“, ou simplesmente “Profeta Gentileza”.
Após deixar o local que foi denominado “Paraíso Gentileza”, o profeta Gentileza começou a sua jornada como personagem andarilho. A partir de 1970 percorreu toda a cidade. Era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, ele respondia: – “Sou maluco para te amar e louco para te salvar“.

Os murais
A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio, numa extensão de aproximadamente 1,5km. Ele encheu as pilastras do viaduto com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização. Durante a Eco-92, o Profeta Gentileza colocava-se estrategicamente no lugar por onde passavam os representantes dos povos e incitava-os a viverem a Gentileza e a aplicarem Gentileza em toda a Terra.
Citação: “Gentileza Gera Gentileza”.

Após sua morte
Em 29 de maio de 1996, aos 79 anos, faleceu na cidade de seus familiares, onde se encontra enterrado, no “Cemitério Saudades”.
Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. Com ajuda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, foi organizado o projeto Rio com Gentileza, que teve como objetivo restaurar os murais das pilastras. Começaram a ser recuperadas em janeiro de 1999. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.
No final do ano 2000 foi publicado pela EdUFF (Editora da Universidade Federal Fluminense) o livro Brasil: Tempo de Gentileza, do professor Leonardo Guelman. A obra introduz o leitor no “universo” do profeta Gentileza através de sua trajetória, da estilização de seus objetos, de sua caligrafia singular e de todos os 56 painéis criados por ele, além de trazer fatos relacionados ao projeto Rio com Gentileza e descrever as etapas do processo de restauração dos escritos. O livro é ricamente ilustrado com inúmeras fotografias, principalmente do profeta e de seus penduricalhos e painéis. Além de fotos do próprio profeta Gentileza trabalhando junto a algumas pilastras, existem imagens dos escritos antes, durante e após o processo de restauração.

Textos escritos sobre Gentileza:
Artigo: Espírito de Gentileza (Leonardo Boff)
Artigo: Profeta Gentileza (Leonardo Boff)
Crônica: Nuvens do Profeta Gentileza (Miguel Falabella)
Monografia: Gentileza nas palavras de um profeta urbano (Maria José Oliveira – UNIPAC) (link alternativo) Livro Urbano (Paula Alzugaray)


quinta-feira, 14 de maio de 2009


Procura

E viveu abrasado
Anos após anos
Sentiu o frio, o medo
Tempestades sinalizavam
Alinhando-se no infinito
Com o olhar abrandou-as todas
a um só tempo...
cata-vento!
Semeando girassóis
assentou os prados
remexeu a terra
escavou a alma
num instante:
Redemoinhou-se qual ao vento
Amiúde...

...

Bateu, girou, rodopiou contra os muros
Desabridos, glaciais, insanos
Ceifou das carnes as entranhas
estranhas
Lastimosas...
Sopesou-as
Em seguida,
Arremessou-as contra as fortalezas
Fitando os corais
De repente...
Serpentes se ergueram
E indulgentes correram,
de Ceca a Meca aos Olivais do Santarém
não houve procela que as acalmasse
conclamando provérbios jungiram
as dores da decepção,
ao calor da solidão!
É tudo que se esvai e fere a alma,
Foi o que sobrou dele: a procura inacabada!

Falseada foi a emoção...

Desilusão!

Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.




Aurora


Por onde andas agora Aurora?
Em qual rua, boca, ou cama,
se perdeu?
por quantos braços, coxas e nádegas
sua língua se atreveu?
Porquê faz de todos escravos
se num repente paralisa sua marcha,
gira o corpo e avulta sua mente
na direção daquela jacente?

Ah! Odiosa e insana Aurora!
Que meneando suas ancas vistosas
Faz multidão se declarar?
Morra Aurora! Morra!
Que não mais farei travesseiro, esconderijo, ou abrigo
Esse seu par de peitos rijos, fartos, convidativos
Que só me fazem embriagar!

Maldita! Aurora! Maldita!
Que lê em minha alma com o olhar
Todo ardor dessa ânsia infinita
que me fere, queima, agita
fazendo de mim eterno prisioneiro
tendo à porta aberta do seu corpo
Cativeiro!

Odiosa! Insana! Maldita! Aurora!
Fonte de todo meu desejo...
Rogo com fervor: não morra Aurora, não morra!
Não morra, antes de mim...
Amor de minhas entranhas!

Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

segunda-feira, 20 de abril de 2009


Armadilha

Cerro a porta dos olhos e corro pra dentro de mim,
Refugiando-me quietinha descanso do meu eu perseguidor
Esse, que durante o dia craveja meus pensamentos com cobranças
Lembretes coloridos em néon destacam as devassidões que ignoro
Mas que realizo quando me escondo, quase imploro

Pra fora de mim não é humano
Lá dentro tenho seiva, lenho, calor
Sinto o coração desabrido, galopante se insinuando
Agitando o sangue quente que fervilha extasiado
Despudorados são os desejos salivantes...
passam por mim lambendo os beiços, provocando
Recolhendo-me me atiro no rio vermelho borbulhante
E sou levada pela libido, desenfreada da fome, cobiça

Ao final, desemboco no sexo latejante
Faço cara de surpresa, finjo ser estreante
Mas, das carnes bem conheço os sussurros estonteantes
Na ânsia de recobrar a razão das mãos da demência
Corro ao meu redor em círculos me confundo
Finalmente...
Reconheço que não há o que fazer,
na convulsão das minhas entranhas

Apenas...

Satisfazer meus desejos escrevendo!


Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Diogo Cavazotti, repórter da Folha de Londrina, recebeu seu primeiro prêmio de jornalismo

Repórter da FOLHA ganha o prêmio Sangue Bom Com série 'Pedofilia', Diogo Cavazotti venceu a categoria mais disputada do prêmio promovido pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná

Curitiba - A série ''Pedofilia'', do jornalista Diogo Cavazotti, da Folha de Londrina, venceu a categoria mais disputada da 4ª edição do Prêmio Sangue Bom de Jornalismo, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná. Entre 64 trabalhos inscritos na categoria Reportagem Impressa (revista e jornal), o repórter da sucursal de Curitiba ficou com a primeira colocação.

A série, dividida em três partes, foi publicada entre os dias 3 e 5 de setembro do ano passado e abordou a questão da pedofilia pelo ponto de vista médico, psicológico, legal e social. Cavazotti conversou com profissionais que lidam com os envolvidos, de ambos os lados.

Na primeira reportagem, foi abordado o trabalho de uma das duas entidades brasileiras que oferecem atendimento para pedófilos e as dificuldades de agir nessas situações, já que a quase totalidade dos acusados não assume o crime. Na continuação, Cavazotti escreveu sobre o tratamento do crime na Justiça. Ele descobriu, em primeira mão, a implantação de um novo método de colhida de depoimentos de vítimas.

A série foi finalizada com o relato, em forma de entrevista, de uma vítima de agressões e abuso sexual pelos tios durante seis anos. O repórter chegou ao psicólogo José (nome fictício) por intermédio de uma amiga e conheceu os detalhes das agressões sofridas por ele entre os 5 e 11 anos.

Apesar de ter recebido seu primeiro prêmio de jornalismo logo no primeiro ano atuando com repórter em um jornal diário, Cavazotti conta que a série publicada na FOLHA trouxe duas outras satisfações que não foram impressas nas páginas do veículo. ''Depois da publicação das matérias, soube do psiquiatra que entrevistei que ele foi procurado por um agressor que decidiu buscar o tratamento após ler o jornal'', conta.

Outra alegria para o jornalista foi descobrir que a vítima entrevistada teve coragem de relatar aos pais as agressões sexuais que sofreu na casa dos tios. ''Ele contou que os pais ficaram muito chocados, choraram muito, mas que, para ele, foi um grande alívio tirar aquele peso das costas'', recorda.

A reportagem levou dois meses para se transformar de uma ideia em texto. Mas, o trabalho de apuração, entrevistas e escrita foi feito em uma semana. Todos os trabalhos são avaliados por uma comissão formada por três jornalistas de fora do Paraná. Na mesma categoria em que Cavazotti venceu, houve empate na primeira colocação. Mauri Konig, da Gazeta do Povo, também recebeu o prêmio, entregue na noite de terça-feira.


Marcela Rocha Mendes
Equipe da Folha








quarta-feira, 8 de abril de 2009

Brumários

Faz de mim ser importante
impreciso relicário errante
raro qual o orcandário
de uma aurora longínqua
e suplicante
E se curvam todos em sua presença
Rios sorriem e se encontram
logo ali, mais ali
onde sua graça divinal
suas mãos amparam o brilho
da chamejante Aurora Boreal

Faz de mim ser importante
Reafirmando em teu silêncio urrante
a eterna flâmula cativante
E cativa, e cativa e cativa
Qual a água que inunda a pedra
Qual o vento matreiro que a esculpi
Ai de mim tão indefesa!
Diante de tão nobre visita...

Faz de mim ser importante
Valha-me Deus pela benção
Das agruras nem a ceifa alcança
E da morte sobrará apenas
a presença infinita de tua lembrança
Que mesmo diante de tão rara nobreza
Resistirá altivo até o fim
E cantará para esse ser tão ignóbil
nada douto apenas servil:
Tu és o reflexo que tive e vivi de mim.

Fez de mim ser importante...



Extraído do livro de Poesias: “Alma” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

domingo, 5 de abril de 2009


Registro aqui que faço coro com o autor do texto, pessoas doentes como Maysa e outros tantos não deveriam ser idolatradas e sim tratadas com responsabilidade pelos familiares. Infelizmente aprendemos facilmente tudo que é prejudicial e aquilo que deveria ser cultuado como bom, justo, correto automaticamente desprezamos, ou temos dificuldade em absorver. Essa é a tendência da natureza humana?

Maysa – porque não assisti à minissérie

Antes de mais nada, quero deixar registrado que gosto da obra musical de Maysa. E só! Não irei eu, aqui, discutir o valor artístico de seu trabalho, porque isso é inconteste.

Entretanto, sem mesmo ter assistido a um capítulo completo que fosse da obra televisiva, que supostamente retratou a vida da artista, por tudo quanto já se sabia dela, enquanto estava viva e na ativa, eu posso afirmar que ela foi uma mãe desnaturada, uma mulher promíscua, uma drogada renitente e uma suicida que só se satisfez quando, enfim, encontrou a morte de uma forma trágica e traumática. Afinal, dirigir um automóvel embriagada e, quiçá, drogada (não é de se duvidar) em plena ponte Rio-Niterói é apostar demais contra a morte.

Isso não pára por aí. O que se poderia esperar de uma infante impúbere que contraiu núpcias com um senhor que poderia ser seu pai. Obviamente que isso foi aplaudido por toda sua família porque o dito senhor era um homem abastado. Trocar uma filha pelo conforto que o dinheiro pode comprar não é novidade na história das culturas humanas.

Tirando o fato de que a mulher tinha, realmente, um talento ímpar – o que justifica de todo seu reconhecimento profissional – ela era mais popular por freqüentar as páginas de escândalos do que pelas resenhas sobre entretenimento musical. Ou seja, arrisco dizer que ela foi uma celebridade porque alimentava fofocas e não porque arrastava as massas a seus shows.

E eu não assisti à minissérie porque as “obras” televisivas, como a mídia em geral, costumam endeusar suas celebridades, não importa o quanto elas não possam – ou não devam – servir de exemplo a mais ninguém. Exemplos disso estão por aí aos borbotões. Vejam-se os casos de James Dean, Marilyn Monroe, Elvis Presley, Fred Mercury, todos eles drogados e irremediavelmente seres humanos sem a menor condição de servir de parâmetro para quem quer que seja. Mas foram ídolos! E celebridades!

Podemos ficar por aqui, em nossas paragens tupiniquins e não iremos encontrar coisas muito diferentes. Carmem Miranda, ícone da cultura desta república de bananas, foi a pique por conta de excessos no consumo das drogas disponíveis em sua época. Assim, também, Cazuza que, antes mesmo de partir, fez questão de promover a apologia ao desregramento, à irresponsabilidade e à promiscuidade, apresentando tudo isso como sinônimo de liberdade.

Portanto, não assisti à minissérie para não ter de contemplar as lentes mágicas que transformam tudo em algo diferente da realidade, colocando “glamour” numa criatura que foi áspera e vulgar e que, caso não tivesse sido embalada pelo dinheiro fácil que o primeiro casamento lhe trouxe e, depois, pelo que foi gerado na exploração de sua popularidade calcada no mundo cão, jamais poderia ter “enfrentado” a vida com seus supostos “valores”.

Eu jamais serei uma celebridade, ao que tudo indica. Porém, ninguém me verá por aí, bêbado e rolando de cama em cama com todo mundo, choramingando que "meu mundo caíu". Tenho dito!

Obed de Faria Junior
Publicado no Recanto das Letras em 18/01/2009
Código do texto: T1391569



Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (você deve citar a autoria de Obed de Faria Jr e o site: obed.zip.net). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/cronicas/1391569

segunda-feira, 23 de março de 2009

Do livro - Hoje é dia de Maria

Amado - Sou aquele que velou seu sono e seguiu seus passos E não vi encanto em voar livre no espaço, nem em estar perto do manto das estrelas, nem no canto dos pássaros nas manhãs. Quis andar... pela terra... Eu que conheci a altura dos vôos, os raios mais fortes do sol, n aveguei no ar gelado das montanhas e enfrentei o hálito quente do deserto... Eu, que agora estou tão perto de você, não sei caminhar... minhas pernas não me obedecem, sou um fraco... Por favor, não me olhe!
Maria - Quem é ocê? e pur que minha voiz pergunta quem é ocê, se meu coração já le reconhece? Me diz: foi ocê que esperei sem sabê?

Foi ocê que sonhei à noite sem lembrá de manhã?
É aquele que meu coração...
Cala, cala, coração meu! Aquieta, minha alma!
Ah!, o peso tão leve do amor me esmaga!
Vem!



O POETA PEDE AO SEU AMOR
QUE LHE ESCREVA


Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

(tradução: William Agel de Melo)


AR DE NOTURNO

Tenho muito medo
das folhas mortas,
medo dos prados
cheios de orvalho.
eu vou dormir;
se não me despertas,
deixarei a teu lado meu coração frio.

O que é isso que soa
bem longe?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu!

Pus em ti colares
com gemas de aurora.
Por que me abandonas
neste caminho?
Se vais muito longe,
meu pássaro chora
e a verde vinha
não dará seu vinho.

O que é isso que soa
bem longe?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu!

Nunca saberás,
esfinge de neve,
o muito que eu
haveria de te querer
essas madrugadas
quando chove
e no ramo seco
se desfaz o ninho.

O que é isso que soa
bem longe?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu!

(tradução: William Agel de Melo)



ESTE É O PRÓLOGO

Deixaria neste livro
toda a minha alma.
este livro que viu
as paisagens comigo
e viveu horas santas.

Que pena dos livros
que nos enchem as mãos
de rosas e de estrelas
e lentamente passam!

Que tristeza tão funda
é olhar os retábulos
de dores e de penas
que um coração levanta!

Ver passar os espectros
de vida que se apagam,
ver o homem desnudo
em Pégaso sem asas,

ver a vida e a morte,
a síntese do mundo,
que em espaços profundos
se olham e se abraçam.

Um livro de poesias
é o outono morto:
os versos são as folhas
negras em terras brancas,

e a voz que os lê
é o sopro do vento
que lhes incute nos peitos
- entranháveis distâncias.

O poeta é uma árvore
com frutos de tristeza
e com folhas murchas
de chorar o que ama.

O poeta é o médium
da Natureza
que explica sua grandeza
por meio de palavras.

O poeta compreende
todo o incompreensível
e as coisas que se odeiam,
ele, amigas as chamas.

Sabe que as veredas
são todas impossíveis,
e por isso de noite
vai por elas com calma.

Nos livros de versos,
entre rosas de sangue,
vão passando as tristes
e eternas caravanas

que fizeram ao poeta
quando chora nas tardes,
rodeado e cingido
por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.

Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.

Poesia é a vida
que cruzamos com ânsia,
esperando o que leva
sem rumo a nossa barca.

Livros doces de versos
sãos os astros que passam
pelo silêncio mudo
para o reino do Nada,
escrevendo no céu
suas estrofes de prata.

Oh ! que penas tão fundas
e nunca remediadas,
as vozes dolorosas
que os poetas cantam!

Deixaria neste livro
toda a minha alma...

(tradução: William Agel de Melo)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Eliana Schuster já cometeu duas vezes o blogcídio:
Foto: Marcos Borges
Reportagem: Diogo Cavazotti


Quinta-feira, 12/03/09

A vida como ela é

Os blogs contribuíram para a livre expressão dos sentimentos de milhares de pessoas. Assim acorreu com a escritora Eliana Aparecida Schuster. No sinalagma.blogspot.com. Após cometer dois ‘’blogcídios’’ (acabar com o blog), pois considerava que eles abordavam temas emocionais e que remetiam à pessoas que não queriam estabelecer contato nem lembranças. Neste espaço ela contava os bastidores de quando escreveu alguns livros.
‘’O blog é você। Não minto lá। Eu busco trazer a feminilidade que a mulher deixou e agora se assemelha ao lado ruim do homem’’, explica Eliana। O ‘’sina lagma’’ possui links de acesso para outros blogs, textos de literatura, contos, poesias, de acordo com o que a escritora está sentido naquele dia. (D.C.)

quarta-feira, 11 de março de 2009


Fui ali aonde o vento faz a curva, mais precisamente onde Judas perdeu as botas.
Volto logo...

Espero!

Os Tribalistas - Velha Infância



Velha Infância
Composição: Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte



"Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...

Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...

Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...

Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...

Você é assim
Um sonho pra mim
Você é assim...
Você é assim...
Você é assim...

Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Penso em você
Desde o amanhecer
Até quando me deito
Eu gosto de você
Eu gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor"


Zélia Duncan - Alma


Alma
Zélia Duncan
Composição: Pepeu Gomes e Arnaldo Antunes


Alma! Alma! Alma!

Alma!
Deixa eu ver sua alma
A epiderme da alma
Superfície!
Alma!
Deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma
Da minha mão
Superfície!...

Easy! Fique bem easy
Fique sem, nem razão
Da superfície!
Livre! Fique sim, livre
Fique bem, com razão ou não
Aterrize!...

Alma!
Isso do medo se acalma
Isso de sede se aplaca
Todo pesar não existe
Alma!
Como um reflexo na água
Sobre a última camada
Que fica na
Superfície!...

Crise!
Já acabou, livre
Já passou o meu temor
Do seu medo sem motivo
Riso, de manhã, riso
De neném a água já molhou
A superfície!...

Alma!
Daqui do lado de fora
Nenhuma forma de trauma
Sobrevive!
Abra a sua válvula agora
A sua cápsula alma
Flutua na
Superfície!...

Lisa, que me alisa
Seu suor, o sal que sai do sol
Da superfície!
Simples, devagar, simples
Bem de leve
A alma já pousou
Na superfície!...

Alma!
Daqui do lado de fora
Nenhuma forma de trauma
Sobrevive!
Abra a sua válvula agora
A sua cápsula alma
Flutua na
Superfície!...

Lisa, que me alisa
Seu suor, o sal que sai do sol
Da superfície!
Simples, devagar, simples
Bem de leve
A alma já pousou
Na superfície!...

Alma!
Deixa eu ver sua alma
A epiderme da alma
Superfície!
Alma!
Deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma
Da minha mão
Superfície!...

Alma!
Deixa eu ver!
Deixa eu tocar!
Alma! Alma!
Deixa eu ver!
Deixa eu tocar!
Alma! Alma!
Superfície
Alma! Alma!
ALMA!


Heróis da Resistência - Doublé de corpo



Doublé de Corpo
Composição: Leoni, Lulu Martin


Eu não reconheço mais
olhando as fotos do passado
o habitante do meu corpo,
este estranho dublê de retratos
Talvez até eu já vivesse
em algum corpo emprestado
Esperando só por você
pra reunir meus pedaços

Foi tanta força que eu fiz por nada,
Pra tanta gente eu me dei de graça
Só pra você eu me poupei

Será que o tempo sempre disfarça,
Tomara um dia isso tudo passa
Desculpa as mágoas que eu deixei

Eu já dei a outra alma
aos bruxos e vampiros
Eu quero que eles façam a festa
enquanto eu me retiro
Só você sentiu por mim
o que nem eu sentiria
Você foi o meu escudo
e eu a própria covardia

Se você ainda acreditar,
eu prometo dublar seu corpo
Te proteger,
te poupar das dores,
Te devolver o amor em dobro
Não se ama, amor, em vão

terça-feira, 10 de março de 2009

Caravaggio-Cupid. c.1601.

Triângulo Quadrado Imperfeito

Havia medo e desejo. Aceitação e renúncia. Cumplicidade e receio. Tudo, absolutamente tudo estava ali, a um toque desnudo. Viço, calor, sabor, cobiça, emoção, prazer, luxúria. Aqueles olhos sempre tão belos refletiam ora qual ao brilho abstruso, ora qual a curiosidade atrevida e matreira. Um universo distante e intocado, algo puro e insano. Verso e anverso. Reverso jamais experimentado.
Ali, naquela atmosfera aos olhos da menina, pessoas entravam e saíam a procura de auxílio seja em forma de combinados, ou na busca da atenção do atendente disputado com entusiasmo pelas moçoilas da pacata cidade. Todas as manhãs, quando o sol inundava lentamente o local se apossando dos móveis, um barulho debochado o acompanhava rompendo a tranqüilidade do momento. Era o ruído da chave dando passagem a mais um dia de trabalho e aventura. Revelações e descobertas. Quase tudo era possível.
O atendente de sua vez se reclinava a um canto do balcão de medicamentos, amparando os braços sobre o mesmo exibindo seu largo sorriso às pessoas que pela porta surgiam. Sua pele alva contrastava em harmonia com o tom avermelhado dos lábios carnudos e o negro dos cabelos. Um verdadeiro convite à explosão da libido. Muitas mulheres que pela calçada caminhavam e até aquelas que do outro lado da rua passavam, disfarçavam desviando os olhos rapidamente naquela direção, na ânsia de serem notadas e com sorte, até cobiçadas pelo belo rapaz.
A juventude, o viço da pele, o desejo incontido de conhecer mais e mais mulheres instigavam-no a procurar entre cada uma delas, o frescor das carnes rijas, o hálito perfumado das bocas, o sabor adocicado das peles e o gosto de cada fêmea.
O ritual era sempre o mesmo. Despertado seu desejo, em questão de segundos o sangue do atendente se atirava pelo corpo irrigando as carnes com tamanha ferocidade capaz de exalar simultaneamente, uma das mais poderosas armas de sedução do universo masculino: o agradável odor dos seus feromônios.
Incontáveis foram as mulheres que pelo fervor daquele jovem, se deleitaram em prazeres incontroláveis logo ali, atrás do biombo no espaço reservado para injeções e curativos...


To be continued...



Extraído do livro de Contos e Crônicas: “Descompasso” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

segunda-feira, 9 de março de 2009




Mulher pós-moderna


Enfrento ultimamente dificuldades das mais variadas, mas a que mais incomoda, deixa furiosa é a de não me permitirem ser mulher!
Bolas! Eu amo ser mulher! Danem-se os capitalistas que obrigam legiões de mulheres saírem dos seus lares em busca do pão cotidiano, do sustento!
A mulher não foi forjada para o exercício do bruto, da força física!
Observem a natureza, os gregos sabiamente fizeram isso e o seu legado até hoje é transmitido de geração em geração. Morrerei dizendo que é a mulher quem escolhe o seu par, assim como na natureza é a fêmea quem aceita ou repudia o macho, estou errada?
Detesto essa invasão de mundos no estilo: mulher sendo homem e homem sendo no máximo uma caricatura da mulher! Sejamos realistas por favor!
Mulheres, não é preciso bradar rua afora seus direitos como fizeram no século passado, essa etapa já se findou, agora é o momento de executá-los através de ações diárias no intuito de reafirmá-los e expandi-los.
Todas nós nascemos com a essência voltada para a proteção, criação, em outras palavras, manutenção da humanidade em geral. Não vejo ser necessário brigar pelo óbvio!
Não pretendo perfeição, isso seria a máxima da utopia humana!
Porque me importo? Simples! Nunca fui feminista e jamais serei, isso é fato!
Adoro o universo ao qual pertenço, mas de uns anos para cá, pouco mais de uma, ou duas décadas, as mulheres avançaram na seara masculina de modo grotesco e aqui, me refiro à disputa, conquista sexual.
Isso me incomoda profundamente!
Com isso a mulher se esquece de ser feminina e quando essa tragédia vem à tona os resultados são catastróficos. Exemplo? Atualmente a sociedade se move afrouxando valores inerentes à formação das pessoas, principalmente dos pequeninos.
Famílias se formam e se desfazem com muita facilidade e os relacionamentos trazem efêmeros sentimentos, prazeres.
Gerações que nos sucedem estão confusas, perdidas e a cada dia há um número maior de jovens com distúrbios acerca da própria identidade sexual, personalidade e formas de se relacionar comas as pessoas e com o planeta!
Na imprensa, pseudoprofissionais tomam páginas de jornais difundindo ser normalíssimo o culto de triângulos amorosos enfatizando que daqui há 20, no máximo 30 anos, as mulheres terão um marido para conversar, outro para passear, outro para fazer sexo, ou seja, defendendo a "segmentação da relação a dois", pois nas palavras dos ilustres equivocados o amor romântico não passa de mera construção social!
Com base nisso me aflijo.
É repulsiva a forma dócil e sedutora utilizada para "coisificar" as pessoas, tratando-as como "res" isso é para além de agressivo, um estupro emocional!
Não vejo necessidade de expormos nossos corpos como um pedaço de carne disposto na vitrine da geladeira de um açougue, que em linhas gerais, está pronta para ser "comida" como habitualmente se ouve na linguagem vulgar!
Sei lá, mas me aflige o fato de que todo essa convergência de forças do século passado havida na luta dos sexos Homem x Mulher, tenha sido propulsora substancial na perda do bom senso. Então pergunto: mas porque devo aderir a essa luta insana se discordo? Quem foi que disse que deve ser assim?
Porque tenho que seguir todas as tendências dos padrões comportamentais? Será mesmo preciso ser leviana para se poder, verdadeiramente, sentir prazer nessa vida? Será mesmo preciso repudiar valores, abandonar princípios e comer o pão que o diabo amassou para ser uma mulher plena?
Infeliz! É preciso ser infeliz para que as alegrias efêmeras do dia-a-dia sejam eternizadas em lembranças que não passam de meras contrações das decepções paridas: cascudas iguais às feridas que criamos no íntimo, negro, borbulhento e fétido porão da dor!
A dor não titubeia nessa hora, ela sempre vem em forma de sufocadas lágrimas nascidas incertezas e frustrações, que riem por fora para disfarçar o que é verdade, o que é presente, real e tanta coisa por dentro se misturando, se remexendo.
Para a mulher moderna sinônimo de romance é sexo, tudo se redunda nele já que a pessoa, o ser e os sentimentos deixaram de existir. A mulher automaticamente deixou de ser um ser humano, e, por conseguinte, feminina e com isso se permitiu transformar em objeto escancarado de exploração comercial, sexual, criminal, bestial.
A mulher moderna é machista e tosca. A mulher pós-moderna é feminina e sábia!
O que eu mulher pós-moderna quero bem sei: viver todas as fases da minha vida sem que seja ceifada nenhuma etapa, chance, ou possibilidade. Usufruir ao máximo minha condição feminina com sabedoria relegando todo tipo, ou forma de competição soberba, egoísta!
De que adianta tanta luta sem objetivos consistentes? Será que voces mulheres modernas não perceberam ainda que se digladiam desnecessariamente com os homens? Sim, pois essa proliferação de ideais machistas na seara feminina tem condicionado-as a serem mais insossas, insubstanciais e dispensáveis como nunca!
Costumo dizer, que a deseducação se combate com educação, cordialidade, o desamor com amor, confiança, respeito.
É nesse momento de educar, formar, ensinar, adestrar os instintos de um ser que veio ao mundo, que a mulher pós-moderna se firma de modo imprescindível. Quando nascemos somos bestas que agimos através dos nossos instintos, mas a natureza em sua milenar sabedoria, conferiu à mulher a tarefa de zelar pelo outro. A dependência da criança em relação à mãe é fato.
O corpo da mulher é um santuário de curvas, maciez, encantamento, fonte de beleza, alegria, prazer, aconchego.
Somos nós, que conduzimos em silêncio as mãos de nossos amantes quando freneticamente buscam o prazer existente em nossos corpos e também, as mãos dos nossos filhos que ainda incapazes e famintos, procuram o alimento em nossos seios.
Sinônimo de rebeldia não é falar palavrão. Sinônimo de poder não força física. Sinônimo de sabedoria não é ser o centro das atenções, pois convenhamos que os melhores estrategistas sabem o momento correto de recuar.
Mulher moderna, por favor, acorde desse pesadelo! Você não percebeu ainda que está no olho do furacão completamente perdida, agindo diariamente em desfavor próprio?
Quanto mais você aceita as provocações, quanto mais você reage com estupidez se permitindo agredir corpo e mente, mais exposta e fraca está!
Não, por favor, não se permita o retrocesso, não aceite essa dominação perversa em forma de afrouxamento de valores e princípios morais fixos. Depende de nós a transmissão deles! Não emburreça a humanidade, não permita ser vazia, dispensável, frívola, descartável!
Acorde mulher moderna, acorde! Acorde antes que seu legado seja a devastação da nossa espécie! Acredito sermos capazes de viver em todo o nosso esplendor com brilho, viço, calor, desejo, encantamento, sabedoria, respeito, liberdade e acima de tudo: Feminilidade!
Extraído do livro de Contos e Crônicas: “Descompasso” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

quarta-feira, 4 de março de 2009


Dia Mundial da Poesia




Paris, 20 de março de 2001 - Koichiro Matsuura

Por ocasião do Dia Mundial da Poesia, celebrado em 21 de março, o Diretor-Geral da UNESCO, koichiro Matsuura, divulgou a seguinte mensagem:

"Poesia é uma arte milenar. É a arte da linguagem, uma interação de palavras, estética oral. Um poema não se lê, se diz."

Por isso, a poesia tem atravessado épocas e continentes. Fruto do imaginário, tanto individual como coletivo, a poesia é um elemento permanente na construção da vida social, tanto como a música, a dança e as artes plásticas. A poesia está presente em todas as partes e, no entanto, ao mesmo tempo, é inacessível. Sua fragilidade aparente, ligada ao seu caráter imaterial, fazem dela uma arte superior inviolável, que não teme os assaltos do tempo e da intolerância.

Como todo o conjunto de patrimônio imaterial, esta arte deve ser objeto de toda nossa atenção. Ainda que todos a admirem, publica-se pouca poesia e se traduz ainda menos. Encontra-se no coração de todas as línguas, mas também é freqüentemente considerada inacessível.

Poesia é uma arte na qual permite-se criar raízes e renovar-se, é o mais autêntico mensageiro de uma cultura; testemunha única e refinada da História. A poesia pode ensinar muito acerca do universo de outros povos, seus valores e sonhos. A poesia é uma porta aberta para o diálogo e para a compreensão dos povos e, por isso, é celebrada neste Ano das Nações Unidas do Diálogo entre as Civilizações.

A UNESCO está engajada na promoção do ensino da poesia nas escolas e apoia todos os esforços para a publicação e tradução de poesia। Gostaria de convidar os Estados Membros a contribuir também, de todas as maneiras possíveis, para a promoção permanente da poesia.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009



A solidão do amor

Descobri que o amor é um sentimento solitário e no mais das vezes unilateral, não me importei, tampouco me desesperei com tal constatação। Demoramos longos anos de nossas vidas, buscando explicar o inexplicável nos desvencilhando das armadilhas do destino, das silenciosas investidas do tempo.
Não, não é difícil entender o amor, difícil é aceitá-lo em sua verdadeira face, pois ele tem duas fases bem distintas e uma terceira, ainda oculta।
A primeira se apresenta através dos cinco sentidos, qualquer deles serve।
Sentimos o palpitar descompassado e em ritmo alucinante de nosso coração, outras vezes nos falham as os músculos das pernas e como em um terremoto, abalos ilimitados invadem chacoalhando todo o corpo, depois somos tomados por pensamentos distantes, divagamos।
Quando próximos de nossos amados, sentimos súbitos arrepios, que atravessam a alma ao ouvir ou vê-los e nos invadem a voz falha e quando finalmente recuperada, desatamos a falar frases que construídas ligeiramente indicam a ausência de noção do que dizemos e que no futuro, servirão como alegres ou saudosas lembranças।
Já a segunda fase, se inicia com o primeiro beijo। Ah! O beijo é um ato de extrema intimidade। A carne dos lábios do amado é sempre a mais macia e saborosa e o hálito, o mais perfumado।
Ali, logo ali, da boca que nos inebria e nos faz arder de paixão e prazer, é por onde os segredos nascem se revelando aos nossos ouvidos।
Em complemento ao beijo, a união dos signos se faz com ânsia frenética, com sede desértica e com a silenciosa guerra das mãos, que afoitas buscam descobrir os segredos e reveses do apetitoso e viril corpo de nossos amados।
E sentimos os sentidos e degustamos os sabores e nos alimentamos da seiva doce do amor sendo amparados ao final, pelos olhares extenuados seguidos pelos muitos espasmos de nossas carnes quando finalmente, adormecemos abraçados envoltos por uma réstia de sol, peculiar somente às vistas daqueles que são verdadeiros amantes।
A terceira fase? Bem, essa permanece ignorando completamente o movimento pendular com que se regozija debochadamente o tempo...
Extraído do livro de Contos e Crônicas: “Descompasso” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.


Dédalo

Eu, que confuso estava com toda aquela situação, permaneci imóvel observando a observação de um observador astuto em plena luz do dia. Enquanto um objeto se movia, o observador acompanhava-o apenas com o movimento rítmico dos seus olhos. De repente, o objeto causador de tamanha observação parou.
O observador também parou a observação. Eu parei. Ficamos ali todos paralisados. O objeto, o observador e eu. Silêncio. Havia um sinistro silêncio pairando pelo ar e evolvendo a todos em uma teia. Mais silencioso ficou o silêncio. Aquela ausência de um qualquer barulho fazia a mente doer, latejar.
Uma estranha sensação de inexistência, de obscurantismo arrefeceu minha imaginação. Bizarro aquele momento, tenebroso! Nas colinas tudo estava quieto. No ar, nem o movimento do vento fazia barulho. Nem minha respiração ouvia.
Morri? Indaguei! Não! Percebi que havia pulsação sem sonoridade em minhas veias. Diabos!
Aonde se escondeu o som?
Porque todos se entreolham apavorados e nada dizem? Nem o pensamento faz ruído!
Estariam os sons de todos os gêneros em greve?
Teriam eles partido da terra?
Para onde?
Preciso de sons, qualquer som! Céus!
O que houve com todos?
Porque observam meu desespero assustados?
Teria o mundo se desintegrado?
Teríamos todos nos desmaterializados?
Talvez....Abduzidos quem sabe!
Onde está o som?
Porque não ouço nada?
Quem sabe a luz possa produzir uma qualquer nota musical...Será?
Raios! Sim, raios eles sempre chegam acompanhados por trovões que fazem barulhos horrendos...
Isso! Preciso encontrar uma nuvem, umazinha apenas e estou salvo! O observador agora me observa arguto. O objeto também me observa severamente. Teriam mudado o alvo?
Seria eu o novo objeto em observação?
Hummm borboletas no estômago! Um grito! Alguém solte uma exclamação, por favor, preciso de um som!
Alguém, não sei quem, se aproxima da cena e observa-nos.
Primeiro, o astuto observador que me observa escorrega seus olhos ao objeto, que aponta em minha direção.
Finalmente descobre através da observação no objeto, que existo e no mesmo instante, passa a me observar! Tortura! Que tortura estou sofrendo!
Hei, psiu! Alguém aí pode emitir algum som?
Sim, sim, pode ser qualquer som, qualquer barulho, qualquer coisa que meus tímpanos identifiquem como um ruído ao menos!
Não houve ouvido que não pedisse um barulhinho, um barulhinho apenas pelo amor de Deus!
Nada! Não se ouviu absolutamente nada, mesmo diante de toda concentração do momento.
Sequer um barulhinho se atreveu, ousou surgir!
Estavam mudos, todos mudos: o tempo, a vida e a natureza. Foram alguns segundos de mudez total, terra, água, mar e ar, nada se mexia nada se pronunciava.
Depois que tudo se acalmou, contaram os mais experientes que o centro da terra também havia parado. Sim, sim, foi verdade – diziam – o coração do mundo teve um piriri naquele instante e por isso, por conta disso, que aconteceu aquela tenebrosa abstinência dos sons! Ainda bem que ele, o coração do planeta, logo se recompôs e eu pude retomar a vida e toda poluição sonora pertencente àquele ambiente. Entretanto, devo confessar:
Difícil essa vida de personagem de pintura sobre tela...!!
Extraído do livro de Contos e Crônicas: “Descompasso” By Eliana Schuster. Todos os Direitos Reservados. Lei 9610/98.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Queen - Crazy Little Thing Called Love


Queen - Crazy Little Thing Called Love

This thing called love - I just can't handle it
This thing called love - I must get round to it
I ain't ready - crazy little thing called love

This thing (this thing) called love (called love)
It cries (like a baby) in a cradle all night
It swings (woo woo) it jives (woo woo)
It shakes all over like a jelly fish
I kinda like it - crazy little thing called love

There goes my baby, she knows how to rock'n'roll
She drives me crazy, she gives me hot and cold fever
Then she leaves me in a cool cool sweat

I gotta be cool, relax, get hip and get on my tracks
Take a back seat hitch-hike
And take a long ride on my motorbike
Until I'm ready - crazy little thing called love

I gotta be cool, relax, get hip and get on my tracks
Take a back seat (ah hum) hitch-hike (ah hum)
And take a long ride on my motorbike
Until I'm ready (ready Freddie) crazy little thing called love

This thing called love - I just can't handle it
This thing called love - I must get round to it
I ain't ready, ooh ooh ooh ooh - crazy little thing called love

Crazy little thing called love yeah yeah
Crazy little thing called love yeah yeah
Crazy little thing called love yeah yeah
Crazy little thing called love yeah yeah
Crazy little thing called love yeah yeah
Crazy little thing called love yeah yeah
Crazy little thing called love yeah yeah
Crazy little thing called love yeah yeah

Coisinha Maluca Chamada Amor

Eu simplesmente não consigo lidar com ela
Essa coisinha chamada amor
Eu tenho que tratar dela
Eu não estou pronto
Coisinha maluca chamada amor
Essa coisa chamada amor
Chora (como uma criança)
No berço da noite
Balança, dança
Se mexe toda como uma água-viva
Eu meio que gosto
Coisinha maluca chamada amor
Lá vai a minha garota
Ela conhece o Rock'nRoll
Ela me deixa maluco
Ela me dá febre quente e gelada
E depois me deixa suando frio...
Eu tenho que me tranqüilizar... relaxar...
Pegar estrada... sentar atrás...
E fazer uma longa viagem na minha motocicleta
Até eu ficar pronto
Coisinha maluca chamada amor
Eu tenho que me tranqüilizar... relaxar...
Pegar estrada... sentar atrás..
E fazer uma longa viagem na minha motocicleta
Até eu ficar pronto (pronto Freddie)
Coisinha maluca chamada amor
Não estou pronto
Essa coisinha chamada amor
Eu simplesmente não consigo lidar
com ela
Essa coisinha chamada amor
Eu tenho que tratar dela
Coisinha maluca chamada amor...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009



E agora?

Dia desses fui surpreendida com um pedido da minha irmã. Com um olhar lisonjeiro e curioso entrou no meu quarto de modo sorrateiro, como costuma fazer quando quer pedir algo e em seguida, preparando o tom da voz finalmente sonorizou um:
- Lee! Um dia você escreve algo me descrevendo?
Paralisei! Depois senti uma tontura, pânico e tentando disfarçar não haver entendido o pedido, criei coragem e rebati:
- Como assim descrevê-la?
Perguntei à ela que se mantinha na mesma posição do início, ou seja, encostada junto à parede do closet enquanto me fitava com olhos brilhantes e inundados por pensamentos que a levavam crer que eu, eu mesma, realizaria uma narrativa sobre ela recheada de elogios, os quais, traduzissem a pessoa na qual havia se transformado nesses últimos meses.
Eu ali, à sua frente disfarçando todo tipo de pavor no rosto pensava – ai como queria que a sua resposta viesse em tom de desistência, um sonoro “deixa pra lá”!
Mas, não, isso não aconteceu raios!
Como se faz no cinema narrativo, em uma última tentativa firmei com fé o pensamento espremendo já, a essa altura, todas as curvas do córtex e eis que a mesma finalmente esboçou sua réplica reafirmando a cruel pergunta, a qual, me fez recordar de chofre o barulho da descarga do vaso sanitário obstinada delatora que denuncia a todos presentes no ambiente, quem é o dono da fedentina no banheiro público!
Odiosamente sorridente, ela avançou um passo à frente e com um olhar suspeito reforçou o pedido na intenção de banir qualquer equívoco:
- Descrever-me assim como sou! Tenho curiosidade para me ver frente a frente...no papel!
Gelei, congelei e a essa altura já me liquefazendo sem ela nada perceber, disfarcei o olhar de “me ferrei” e com um sorriso amarelo respondi:
- Ta eu faço!
Enquanto respondia concordando, no meu íntimo desejava visceralmente não ter aceitado aquele penoso encargo!
- Diabos! Que idéia essa agora?! Pra que uma descrição? Hummmm será que precisa se reafirmar, ou quem sabe reforçar sua auto-estima? Bem que poderia me dispensar dessa enrascada, ai!!
Aceitei voltando o olhar para o teclado do lap (REX) o mais rapidamente possível, igual quando estamos envolvidos demais com o mundo virtual e soltamos respostas monossilábicas do estilo: “Ok”, “Certo”, “Humhum”, “Pois é”, “Aham” e por aí afora.
Tudo o que eu não precisava era um pedido daqueles!
Então, depois que não consegui barrar o seu intento, ela saiu do quarto cantarolando sei lá o que, toda feliz, alegre, leve enquanto eu, bem eu, àquela altura carregava todo tipo de insegurança, dúvida e remorso às costas!


by Eliana Schuster
Todos os Direitos Reservados Lei 9.610/98
Anna Politkovskaia


Anna Stepanovna Politkovskaia, em russo Анна Степановна Политковская, (Nova Iorque, 30 de agosto de 1958 — Moscovo, 7 de Outubro de 2006) foi uma jornalista russa conhecida pela cobertura crítica à guerra na Tchetchénia e ao governo do presidente Vladimir Putin.
Anna Politkovskaia nasceu na cidade de Nova Iorque devido ao facto dos seus pais (de origem ucraniana) serem diplomatas na Organização das Nações Unidas (ONU). Anna foi enviada de volta para a Rússia pelos pais, onde realizou os seus estudos. Em 1980 formou-se em jornalismo pela Universidade Estatal de Moscovo. Iniciou a sua carreira no jornal Izvestiya.
Em 1998 visitou a Tchetchénia pela primeira vez enquanto jornalista do Obshchaya Gazeta. Desde 1999 era jornalista do Novaya Gazeta, bissemanário independente russo. Foi nesse que se iniciou a segunda guerra na Tchetchénia, que Politkovskaia cobria com relatos sobre as dificuldades enfrentadas pela população civil e sobre abusos cometidos pelas autoridades russas durante o conflito.
Em Fevereiro de 2001 foi detida no sul da Tchetchénia pelo exército russo sob acusação de ter obtido informações secretas. Oito meses depois refugiou-se em Viena, depois de ter recebido por correio electrónico várias ameaças de um polícia russo que Politkovskaia acusou ter cometido abusos.
Em Outubro de 2002 foi uma das mediadoras na crise do teatro Dubrovka gerada quando um grupo de rebeldes da Tchetchénia sequestrou um grupo de pessoas que assistia a um espectáculo. Em Setembro de 2004 tentou ser mediadora no caso da escola de Beslan, na Ossétia do Norte, mas ficou doente tendo sido levada para um hospital de Rostov-on-Don onde lhe foi diagnosticado um envenenamento. Politkovskaia afirmou que não tinha ingerido nada naquele dia, a não ser o chá que lhe foi servido durante o voo.
Anna Politkovskaia foi assassinada a 7 de Outubro de 2006 em Moscovo. O seu corpo foi descoberto por uma vizinha no elevador do prédio no qual habitava.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

View of Arles. Orchard in Bloom with Poplars in the Forefront. April 1889. Oil on canvas. Bayerische Staatsgemäldesammlungen, Neue Pinakothek, Munich, Germany.
Vincent van Gogh

A Revolução dos Patos

Acordei cedo. Não fiz o meu café. Saí de casa, logo ao anunciar da manhã e às nove horas eu já estava caminhando feliz e determinada, rumo ao Bosque do Papa. Todavia, como de costume, estava com todos os meus pensamentos voltados no meu mundo, no imaginário irreal e com isso, não pude identificar a entrada do lugar, resultado: passei batido! Caminhei, caminhei e caminhei tanto, que quando percebi e sem ainda saber, havia deixado bem lá atrás, o endereço inicialmente pretendido. Qual o meu espanto, depois de perguntar a um transeunte se o Bosque do Papa estava ali, por aquelas redondezas! Admirado, o pedestre solicitamente me informou:
– Não moça, esse já ficou para trás, mas se for reto logo ali, mais à frente, tem o Parque São Lourenço, muito bom também!
Para não perder a viagem continuei minhas passadas até ao destino finalmente chegar. O sol estava alto e com isso, o relógio já marcava dez horas. Entrei no parque, acompanhada pelo barulho das águas do desarmonioso duto e respirei aliviada. Não parei a minha marcha, continuei firme perseguindo a via lateral reservada aos pedestres. Aos poucos e ainda ao longe, algumas pessoas começavam a despontar e quando por eu passavam até ousavam me cumprimentar. A todos, respondi alegremente à gentileza, com um ligeiro acenar de cabeça.
No lago, apenas uma garça se arriscava a permanecer bem lá no meio. Cena estranha e triste, confesso...Mais adiante, já do outro lado, umas duas ovelhas presas à corda no pescoço pastavam na grama tenra e verde emitindo vez, ou outra um sonoro bééééééé, por aqueles que ali passavam. As árvores sorridentes que verdejantes e faceiras jogavam para fora da calçada suas vistosas e grossas raízes, faziam uma sombra majestosa à todos que do sol, pretendiam escapar.
À esquerda, carecendo de um pouco mais de sombra e vento, se exprimiam amontoando-se embaixo de uma árvore anã, mais de uma dúzia e meia de patos que nervosos, não se acanhavam em falar o seu idioma oficial: o Patinês. Fantástico momento! Um deles, o mais emplumado e robusto, se mantinha posicionado bem ao centro da árvore anã tomando para si, parte considerada da minguada sombra. Com certa majestade balançava a cabeça de um lado ao outro e também, de cima para baixo com seu bico majestoso. Acompanhando a solenidade do momento emitia vários de seus sonoros grasnares, ou “quacks” os quais, eram obedecidos pelos demais, que cessavam imediatamente mesmo que por alguns segundos, quaisquer discussões. Confesso que aquela rápida trégua, aos ouvidos apaziguava, soava como um alívio àqueles que como eu, que por ali trafegavam...
Tudo indicava ser aquele pato emplumado, manchado no dorso e nas asas em tom preto e vermelho o líder do agitado bando, além é claro, de toda a respeitabilidade e obediência que lhe atribuíam sem “quackejar” os demais. Fiquei curiosa com a organização deles e resolvi observá-los. Interrompi a caminhada e passei a contá-los, pois precisava visceralmente saber em quantos se somavam. Sentei na grama, bem abaixo de um Salgueiro-chorão e mais à frente de um casal de namorados, que aproveitavam o clima de romance e o frescor da brisa preguiçosa que por ali passava, para se chamegarem. Não sei como conseguiam se manter distantes de tantos “quacks e quás, quás, quás” boiando pelo ambiente sem que lhes chamasse a atenção! Coisas do amor! Já tinha ouvido falar que o amor cegava, mas ensurdecer também...Será mesmo?! Humm vai ver que até acontece, acho que sou eu que estou fora de forma com romances...Triste constatação! Mas, voltando à pataiada...de olhos abertos e bem abertos, registrei toda a movimentação e como se movimentavam, quer dizer “quackejavam”! As fêmeas eram as que mais emitiam grasnares estridentes e de modo quase incessante, sendo repreendidas pelos seus pares com alguns cutucões, mais com a cabeça que com os bicos. Pensei: Até aqui! Sempre fomos tolhidas, cerceadas na humanidade, secularizadas historicamente e reprimidas em nossas opiniões, mas no mundo patolífero também! Ah! Isso já é demais! Revoltei-me por um instante, mas recobrei o discernimento logo após dessa incursão histórica e voltei a perseguir meu real intento: observar e com sorte, até promover um censo daquela revoltada bicharada! Sim, pois estavam todos ali reunidos como em uma sessão plena. E todos se mantinham ao redor do majestoso emplumado, que no centro dava as coordenadas, digo “quackejadas”. Entretanto, uma curiosidade danada me alfinetava os pensamentos: por qual motivo se mantinham ali quase amontoados? Cheguei a pensar que era sim o início de um motim de tão exaltados que aparentemente se encontravam. Seria a sombra daquela árvore anã a disputa do momento? Logo abandonei a idéia, pois outras sombras ali existiam. Então o que poderia ser? Comecei a ficar injuriada, pois uma coisa era certa: preparavam-se para um levante!
Novamente o emplumado e majestoso pato tomou a frente da discussão acalmando a todos. Só que dessa vez, um “quack, quack” mais cerimonioso foi sonorizado pelo líder. Em seguida, todos abriram espaço se enfileirando à direita e à esquerda conforme o líder em seu caminhar desajeitado, avançava. Em seguida, se fechavam os espaços e um a um, marcava o compasso da marcha a seguí-lo. Rumaram todos inacreditavelmente em silêncio e cabisbaixos até chegarem à margem do lago. Aquele instante soou de modo fúnebre. Foi aí कुए... Seco, estava seco! Sem uma gota de água, completamente drenado, vazio se encontrava o lago do Parque São Lourenço! Eis que compreendi a revolta da pataiada. Como poderiam nadar, se exercitar, levar a vida adiante sem água! Comovi-me com o sofrimento daqueles pobres e exemplares nadadores. Eles todos se acomodaram beirando a margem do lago e ficaram ali, com todo aquele pesar. Fiquei imaginando o que poderiam pensar naquele instante...Que besteira, pato não pensa! Hummm será?! Depois do que presenciei confesso que agora tenho dúvidas!
Depois dessa aventura toda, regressei à minha caminhada e quando vi, já estava retornando ao ponto de partida। Uma tristeza me invadiu a alma por deixar aquele lugar...Astuta, a tristeza, quase me convenceu a dar mais uma volta ao redor do lago, que agora o enxergava em sua real condição, ou seja: vazio! Mas por força da razão que batia o pé me olhando feio, cedi e fui embora! Outro dia, eu volto lá mais cedo e talvez, a revolução dos patos já tenha acontecido, ou ainda eu a presencie...
Quem sabe!

Copyright © 2009 by Eliana Schuster
Todos os Direitos Reservados Lei 9.610/98

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009



Se me ouvisses Arlequim

Te amei, Ah! E como te amo!
Te amei com fome e sede
de alma
Vida viva foi a minha
naquele momento
Ato-fato, ato-único, ato-amor!
Despedacei meu coração
em partes e te entreguei
Recusa...
Seguro com uma das mãos
meus pedaços e com a outra,
amparo todos meus sentimentos
ansiando teu regresso
Derreto, descuido, morro e ressurjo
Sou falha, navalha
corto lampejos
Regaço, sussurros em meus ouvidos!
Cobranças, mingua, morte
Esperança...
Faz tanto frio!
Minha alma está tão vazia!
Sofro
Desabotôo pensamentos
Descoro sentimentos,
logo morro
Parto
Carregando em mim teus cheiros,
teu gosto
Único
Encaixe de vidas
Movimentos contrários
Morte, Vida
Sina
Confundo-me, me aprisiono
Arrebento o peito
Viração
Engendro feitiços, desencontros
Capturo mazelas, cores, corais
Raio
Qual a pluma, rogo, cobiço
Suspiros infinitos, afagos perdidos
Desejo
Persegue-me, cobra, avisa
Tua chegada
Tua partida
Morro!
É o fim
De um triste e solitário
Arlequim...

By Lee Schuster

sábado, 31 de janeiro de 2009



Assentada

Chega a esta casa
sem prazo ou contrato.
Faze de pousada
as salas e quartos.
Os nossos arreios
ninguém os desata
com ódio e receios.

O tempo não sobe
nas suas paredes;
secou como um frio
nos beirais da sede;
calou-se nos mapas,
na plácida aurora,
nos pensos retratos.

Entra nesta casa
que é tua e de todos,
há muito deixada
aberta aos assombros.

Entra nesta casa
tão vasta que é o mundo,
pequena aos enganos,
perdida, encontrada.
Os dias, os anos
são palmos de nada.

Carlos Nejar

Ana Carolina - Ruas de Outono


Ruas de Outono
Composição: Ana Carolina/Antonio Villeroy

Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Monólito

Um lamento
Sangria que ecoa pelo vento
Grita com voz muda nos ouvidos
Ausência é pensamento
Rompendo a pele alva
Cortando
Sangrando
Lento...

Mais um que se vai
Menos um dia de Salém...

Hei, man!
A roda da vida gira em Ré Maior
A engrenagem trabalha em Mi menor
Apenas nós ficamos presos
Na poeira das estrelas malabaristas
... Concertistas!

By Lee Schuster

Jimmy Cliff - I can see clearly now

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

É doce morrer no mar - Adeus aos Caymmi


28/08/2008 - 18h32
Corpo de Stella Maris, viúva de Caymmi, é enterrado no Rio
Publicidade da Folha Online


O corpo de Stella Maris, viúva do cantor Dorival Caymmi, foi enterrado na tarde desta quinta-feira no cemitério São João Batista no Rio de Janeiro. Ela morreu aos 86 anos no Rio.

A morte de Maris ocorreu 11 dias depois do marido. Ela estava internada desde abril no hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo (zona sul do Rio) e a causa do óbito não foi divulgada.

Ex-cantora de rádio, Stella Maris --ou Adelaide Tostes, seu nome de batismo-- entrou em coma dez dias antes da morte do marido e três antes de sua previsão de alta no hospital.

No velório de Caymmi, familiares disseram que esta foi uma das causas para a piora no estado de saúde do compositor, que tratava um câncer nos rins desde 1999. "A ausência dela [Stella] acabou com ele. Ele entrou numa melancolia, desistiu de comer, desistiu de tudo", disse Nana Caymmi, a filha mais velha do músico e da ex-cantora.

Stella Maris abandonou a carreira ao se casar com Dorival Caymmi, em 1940. Deixou três filhos --Nana, 67, Dori, 65, e Danilo, 60--, sete netos e cinco bisnetos.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u438993.श्त्म्ल

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009


Hieronymus Bosch
Tabletop of the Seven Deadly Sins and the Four Last Things. 1485. Oil on panel. Museo del Prado, Madrid, Spain.

Fuga

Não sinto vontade
De sentir vontade
A vontade da morte
Se mantém à espreita
Estou sujeita?
Não! Sou imperfeita!
Escondo a sujeira
poeira leve que espano
pra baixo da minha sombra
faz algum tempo...

Até São Jorge parou
Não toca mais seu pandeiro na lua
Ele se foi...
Levou consigo os ladrilhos
E os brilhantes
E as cores, se encolhendo fugiam
O sol vestiu casaco
As estrelas se engoliam
Ouvindo os gemidos das feras
Levantou-se a mística sideral
Detentora de beleza sem igual
Ao seu redor giravam cometas
E rápido vieram os demais planetas
E o elemento volitivo ausente
Com um sopro retornou do abismo
Firmando-se em minha alma novamente!

By Lee Schuster
Sir Edward Burne-Jones. The Beguiling of Merlin (Merlin and Vivien). 1870-1874. Oil on canvas. Lady Lever Art Gallery, Port Sunlight, Cheshire



Revelação

O amor secreto um dia se esvai
não haverá calma nesse momento
apenas sofrimento insano
no vazio da alma ferida
rasgar-se-ão desejos profanos
ao embalo da maré que vem e que vai...
Apagar-se-ão as luzes do firmamento
Jazerão inertes os humanos
Até que a vida se decida
socorrer-lhes da dor bandida
cantarolando em tom soprano
a anunciação da desesperada partida
trazendo embrulhada a morte em pasquim
no dia do juízo da aurora pervertida

Pobres Arlequins...


By Lee Schuster

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Revelação

Eu poderia amá-lo
Se me coubesse
o véu de suas entranhas
acobertaria minha alma
desembocaria minha boca
aflita
no seu sabor
rastro único
carne, apenas carne
desnuda do fio da navalha
há muito jaz cega...


Eu poderia amá-lo
chacinando o pundonor
consumindo-me
beberia seu sangue morno, adocicado
Beijaria as palmas das suas mãos rasgadas
Todas as quatro patas
Recuperaria


Eu...Eu poderia amá-lo
Como no início, antes da dor sem saudade...

Eu...Eu poderia amá-lo se me permitisse
Zombaria com fúria descomunal
Beijaria essa boca...Sem igual
Desejo


Eu...Eu poderia amá-lo
Se me coubesse suas vestimentas
Lago pálido de dor são seus olhos
Vesgos ou não são seus
Tanto o esquerdo como o direito
Únicos, incomparáveis,
Insublimáveis...

Eu...Eu poderia amá-lo eternamente!


By Lee Schuster

domingo, 18 de janeiro de 2009

Lenny Kravitz - Calling All Angels


Calling all angels

I need you near to the ground
I miss you dearly
Can you hear me on your cloud?

All of my life
I've been waiting for someone to love

All of my life
I've been waiting for something to love

Calling all angels
I need you near to the ground
I have been kneeling
And praying to hear a sound

All of my life
I've been waiting for someone to love
All of my life
I've been waiting for something to love

All of my life
I've been waiting for someone to love
All of my life
I've been waiting for something to love

Day by day
Through the years
Make my way

Day by day
Through the years
Day by day
Through the years

Day by day
Through the years
Day by day
Make my way

Day by day
Through the years
Day by day
Day by day

(tradução)

Chamando todos os anjos


Chamando todos os anjos
Eu preciso de você perto do chão
Eu sinto sua falta querida
Você pode me ouvir da sua nuvem?

Toda minha vida
Eu tenho esperado alguém para amar
Toda minha vida
Eu tenho esperado alguma coisa para amar

Chamando todos os anjos
Eu preciso de você perto do chão
Eu venho ajoelhado
E rezando para ouvir um som

Toda minha vida
Eu tenho esperado alguém para amar
Toda minha vida
Eu tenho esperado alguma coisa para amar

Toda minha vida
Eu tenho esperado alguém para amar
Toda minha vida
Eu tenho esperado alguma coisa para amar


Dia Após dia
Atraves dos anos
Faça meu caminho

Dia Após dia
Atraves dos anos
Dia Após dia


Dia Após dia
Atraves dos anos
Faça meu caminho

Dia Após dia
Atraves dos anos
Dia Após dia
Dia Após dia

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Despedida

Na esteira astral dos sentimentos, repousei meus anseios
Vi álamos em seus olhos, toquei sua alma lantejoulada
No seu querer habitava uma força centrípeta impossível
Sugando danadamente minhas vontades e depois...
Arremessava-me aos balseiros planetários
Vestidos em suas brancas musselinas sorriam sem nada dizer

Eu, indefesa, me esvaía entre o vácuo monocromático das escaldantes lavas da dúvida
Minha roupa amarfanhada contrastava diante de toda sua fosforescência elíptica
No firmamento, entre a eólica fúria dos amantes e o desejo animalíssimo das entranhas
A balsa seguia,
Eu me consumia,
E você, entre as brumas
lentamente, desaparecia

Espera repartida!

By Lee Schuster

Patricia Kaas - Les Hommes Qui Passent